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Exposição "O Catador da Floresta de Signos"

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 10/05/2015 às 00h59

 

 

Mostra ressalta a importância das folhas no universo dos Orixás e da cultura afro-brasileira

Sem folha não tem Orixá!

Esse dito yorubá que sintetiza um dos princípios do candomblé serve de base para a exposição inédita que o fotógrafo e artista plástico fluminense Alexandre Mury apresenta em Salvador a partir do dia 7 de maio. A mostra, intitulada “O Catador na Floresta de Signos”, é resultado de uma incursão artística e filosófica sobre o universo afro brasileiro a partir de uma pesquisa empreendida por Mury, durante do meses, na capital baiana.

 

 

O trabalho de Mury resultou na composição de 12 orixás, numa leitura livre baseada na simbologia das folhas associada à figura humana. Em sua pesquisa em território baiano, o fotógrafo investigou o tema religioso a partir do contato próximo com as pessoas que vivem o candomblé no seu cotidiano, levando para sua vida essa influência. “Eu tinha uma ideia na cabeça, mas quando cheguei a Salvador tudo mudou. Mudou na construção e no próprio sentido da obra que eu imaginava fazer”, atesta ele, ressaltando a importância da vivência em terras baianas para o resultado final da mostra.

 

 

E este resultado, segundo ele, decorre de sua atenta observação sobre a apropriação dos signos e significados do candomblé pelos baianos. “Aqui, mesmo quem não é do candomblé acaba incorporando alguma coa do candomblé no seu dia a dia”, observa o artista, que diz ter procurado em seu trabalho a busca da ancestralidade no que ela tem de ma essencial. Nesse ponto, entra como fio condutor da mostra o elemento natureza, particularmente, as folhas.

 

 

Serviço:

Mostra: O Catador na Floresta de Signos/ Alexandre Mury
Abertura: 07/05/2015, às 20 horas
Visitação: 08/05 a 06/06 de 2015 (segunda a sexta, 10h às 19h; sábado, 10h às 13h)
Local: Roberto Alban Galeria
Endereço: Rua Senta Pua, 53 Ondina Tel. 3243-3982/ 3326-5633

http://www.aratuonline.com.br/…/mostra-ressalta-a-importan…/

 

 

 

 

 

 

Categoria: Cultura, Mitologia, Recomendamos
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Cobrança pelos serviços religiosos no Candomblé

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 26/04/2015 às 00h23

 

Por que se cobram os Direitos Religiosos?

 

Por Oluwo Ifáṣadé Odùgbèmi Aworeni

Tradução: Mário Filho

 

Diferentemente da crença que existe, as atividades exercidas pelos sacerdotes e sacerdotisas de Òrìṣà e Ifá devem ser remuneradas, pois isso é uma determinação divina. Ao longo do texto veremos que se os sacerdotes não cobrarem, mesmo que seja um valor simbólico por seus serviços, perderão o Àṣẹ que lhes foi transmitido quando de suas iniciações. Verão, também, que Ọ̀rúnmìlà, o Òrìṣà da sabedoria, esclarece que as pessoas não dão valor àquilo que lhes vêm fácil, ou seja, elas só passam a valorizar algo que recebem quando pagam por ele.

 

O pagamento de honorários, denominado “Pagamento de Direitos Religiosos”, por qualquer ato litúrgico levado a cabo por sacerdote ou sacerdotisa de Òrìṣà e Ifá representa o sacrifício individual que a pessoa beneficiária de tal ação litúrgica faz para o Òrìṣà, Ancestral ou Entidade aos quais deseja demonstrar sua boa vontade; representa, também, a remuneração do trabalho do sacerdote ou sacerdotisa que emprega seu tempo, conhecimento e recursos para realizar os atos litúrgicos; isto, como qualquer outra atividade profissional, indubitavelmente, tem um custo monetário, o qual deve ser pago por quem se beneficia dos serviços desses sacerdotes e sacerdotisas de Òrìṣà e Ifá. Por outro lado, esses estão obrigados a cobrar tais honorários porque suas carreiras sacerdotais e iniciações religiosas lhes custaram anos de esforços, sacrifícios e, principalmente, muito dinheiro. Portanto, tal qual o faz qualquer egresso de uma universidade, os sacerdotes de Òrìṣà ou Ifá têm todo o direito em receber por seus trabalhos ao qual, supõe-se, dedicaram muitos anos de suas vidas.

 

 

 

Na Religião Tradicional Yorubá, como tudo na vida, as coisas têm seu preço, porque assim foi determinado pelos Àwọn Òrìṣà. Em uma oportunidade, Ọ̀rúnmìlà disse aos seus filhos, os Bàbáláwo: “Vós tendes que ensinar as pessoas que pagar pelo bem que recebem não é retribuir, ao pé da letra; é agradecer, apreciar, respeitar e corresponder em alguma medida aos Àwọn Òrìṣà e a vós, seus sacerdotes e sacerdotisas.”

 

Antes que Ọ̀rúnmìlà houvesse declarado a mensagem citada, os Bàbáláwo predicavam e praticavam o bem à humanidade gratuitamente, vivendo na mais absoluta pobreza e despossuídos totalmente de bens materiais.

 

Sustentavam-se, ou melhor, tentavam sobreviver, por meio da caridade das pessoas e se conformavam com o que elas, cada vez mais miseravelmente, lhes concediam em reciprocidade ao bem incalculável que recebiam. No entanto, chegou um momento no qual os Bàbáláwo começaram a padecer de miséria, fome, frio e morte prematura, enquanto que para a maioria das pessoas o sofrimento dos sacerdotes lhes foi indiferente. Ainda assim, os Bàbáláwo prosseguiam no cumprimento de sua nobre e sagrada missão, até quase chegarem a desfalecer por inanição. Suas forças haviam se exaurido. Enquanto isso acontecia a maioria das pessoas se esquecia rapidamente do benefício recebido das mãos daqueles religiosos. Muitos haviam sido curados de graves enfermidades, outros se haviam salvado de acidentes mortais, outros haviam recuperado a felicidade e a paz em suas vidas e famílias, outros haviam feito grandes fortunas, outros foram salvos da morte e da desgraça e, assim, a lista de benefícios obtidos pelas pessoas, das mãos daqueles dedicados sacerdotes, se fazia interminável. Ainda assim, os seres humanos manifestavam seu febril egoísmo, ao desconhecer, de maneira inescrupulosa, as necessidades vitais daqueles, por cuja intermediação, haviam recebido as bênçãos dos Àwọn Òrìṣà e Ancestrais.

 

Ọ̀rúnmìlà prosseguiu com seu discurso: “Porque, até hoje, tenho visto, com grande tristeza, como muitos seres humanos tão rapidamente esquecem o bem que recebem. É mister, então, ante tão abusivo egoísmo, que vós não vivais a expensas da boa vontade, da iniciativa humanitária e da caridade daqueles que, cada vez mais, demonstram, com suas atitudes, a indiferença e o desprezo que sentem por tudo aquilo que conseguem facilmente. A maioria dos seres humanos aprendeu de forma equivocada a dar valor material a tudo o que lhe concerne. A mercadoria que vós ofereceis não tem valor material, porque ela, em si mesma, não é material; porém, posso-vos assegurar que a saúde, o amor, a paz, o equilíbrio e a harmonia da vida e a salvação que, por meio de vós eles recebem, não pode ser valorada materialmente, porque ninguém pode pagar o verdadeiro valor que estes aspectos têm em suas vidas.” “Por tudo o que vos disse até aqui, a partir deste momento toda ação vossa, a título pessoal ou a favor de terceiros, que implique a participação direta ou indireta de algum Òrìṣà ou Ancestral, seja qual for esta, deverá ser recompensada materialmente sempre, mediante oferta de animais ou objetos valiosos em troca, que obriguem ao beneficiário de vossos favores a demonstrar, em todos os momentos, uma ação recíproca que aponte sua disposição ao sacrifício, qualquer que seja este, em troca dos benefícios incalculáveis que recebe.”

 

 

Ọ̀rúnmìlà, continuando com suas assertivas, se coloca, então, como um dos Àwọn Òrìṣà e ordena que os atos litúrgicos sejam recompensados materialmente, como forma de sacrifício, alertando que os fins pretendidos só serão alcançados se a pessoa que os requereu mereça ajuda: “O ser humano recebeu de nós, os Àwọn Òrìṣà, a vida e a natureza pra que cresça, desenvolva-se e se engrandeça mediante o sacrifício, a honestidade, a justiça e o amor aos seus semelhantes. Grandes coisas fizemos previamente para eles, a fim de lhes facilitar o caminho, entretanto, uma vez mais, se fazem de desentendidos e se auto consideram com o direito de receber de forma gratuita vosso sacrifício unido aos vossos favores. Isso é inconcebível!”. “Assim, ante tais atitudes, a partir de agora nossos favores e vosso trabalho terá que ser recompensado materialmente por tudo aquilo que vos requererem. Cada Sacerdote deverá exigir, sempre, a contrapartida material, previa ou posteriormente à consumação de seu trabalho, deixando claro que o pagamento desses direitos, em nenhum momento, significará que se comprou o favor dos Àwọn Òrìṣà ou Ancestrais. O abono dos mencionados direitos sempre será uma representação simbólica do espírito de sacrifício da pessoa que solicitar vossos serviços, mas a nós corresponderá sempre a última palavra com relação a se concedemos ou não o favor solicitado, somente depois de haver valorado se essa pessoa fez o suficiente para merecer nossa ajuda.” “Os seres humanos devem dedicar suas vidas a lavrar a madeira, cultivar os campos, caçar, pescar, curar os enfermos, ensinar boas coisas aos filhos, cuidar dos animais, labores artísticos, extrair riquezas naturais etc., porém há aqueles que têm a sagrada missão de servir de intermediários entre os homens e as divindades, dedicando seu tempo e sua vida a tão nobre e louvável labor e, por isso, têm tanto direito a receber o mesmo que os demais! O vosso trabalho é tão importante como qualquer outro e, por isso, deveis receber o necessário para viver com dignidade entre seus semelhantes.” Ọ̀rúnmìlà afirma: “Portanto, se as pessoas não são capazes de reconhecer, em toda sua magnitude, o valor de vosso trabalho, então que, a partir de agora, aprendam que a caridade terá que ser merecida, que esta requer ação e trabalho e, por isso, terá um preço; assim, aqueles que são aptos para receberem suas consagrações e o Àṣẹ que lhes serão transmitidos por vós, também terão que vos pagar, na justa medida, por seu trabalho.”

 

Ao terminar, Ọ̀rúnmìlà emite seu decreto: “Por fim eu decreto que: Não haverá ação vossa, nem nossa, que esteja livre do pagamento, exceto quando previamente nós apontemos o contrário”. Isso significa que a caridade e sua justa administração será uma questão exclusiva de nós, os Àwọn Òrìṣà, e em nenhum momento de vós. Se uma pessoa, por suas atitudes em vidas passadas ou na atual, merece ser premiada com uma caridade, livrando-a do pagamento, isso será determinado por nós, vossos Àwọn Òrìṣà e Ancestrais.”

 

A partir do momento em que a mensagem de Ọ̀rúnmìlà foi recebida pelos sacerdotes as coisas mudaram muito para eles. As pessoas aceitaram e se adaptaram muito rapidamente a essa nova sistemática. Por isso, qualquer Bàbálòrìṣà ou Bàbáláwo, onde quer que se encontre, está obrigado a cobrar, de forma a que suas orações e trabalhos tenham bênçãos e Àṣẹ suficiente; do contrário e, sobretudo, se a situação se repete, pode chegar a perder o Àṣẹ e o privilégio que lhe foi outorgado por nossas divindades. Ao lermos as declarações e decreto de Ọ̀rúnmìlà, passamos a compreender perfeitamente porque se deve pagar para se iniciar a Òrìṣà ou Ancestral; receber as diversas consagrações e fundamentos religiosos; para se assentar nossos Àwọn Òrìṣà e Ancestrais; para se iniciar em Ifá, realizar um pedido, oração, ẹbọ etc. Da mesma forma, cada etapa de formação religiosa requer um longo e duro caminho a percorrer, bem como grande esforço e tempo da vida útil de uma pessoa, pelo qual está não só limitada a receber recompensas e reconhecimento por parte dos Àwọn Òrìṣà, senão, também, por seus semelhantes. Não há motivos lógicos e racionais para pensar que um Sacerdote ou Sacerdotisa, pelo simples fato de ser um religioso, esteja obrigado ao altruísmo. Se assim o fosse, quem daria o sustento a essa pessoa? Como ele se calçaria ou se vestiria? Como cobriria seus gastos mais elementares? Como e onde viveria? Como poderia recorrer à saúde pública, aos hospitais e à assistência médica em geral? Apesar de que o próprio Ọ̀rúnmìlà já reconheceu: “Creem vós, que nossos sacerdotes e sacerdotisas, de verdade, poderiam viver à custa da vontade e da caridade das pessoas? Claro que isso é impossível!”. A qualquer médico, o qual, logicamente, comprometeu sua vida sob o juramento hipocrático de não negar jamais auxílio a um ser humano, cujo labor social é eminentemente humanitário e importante para preservar a saúde da sociedade em que vivemos, se não lhe dá a retribuição por seus serviços, logicamente não trabalhará, pois ainda que o queira, humanamente não o pode fazer. Tampouco a ninguém ocorreria que eles vivem da caridade pública ou da boa vontade das pessoas; se assim o fosse não existiriam médicos em nossa sociedade, pois ninguém estaria disposto a passar anos estudando para, ao final, ficar a custa da boa vontade alheia.

 

 

No entanto, apesar de que a profissão de médico implica um alto sentido humanitário e de sacrifício pelos demais, grande parte de nossos médicos lucram e se enriquecem com sua “profissão humanitária”, exigindo preços, às vezes, elevadíssimos – às vezes impagáveis pelos menos favorecidos financeiramente –, por qualquer intervenção cirúrgica ou por um simples tratamento para emagrecer. As pessoas parecem aceitar isso como algo inexorável, que tem que ser assim e nada mais. Enquanto tudo isso é uma realidade, às pessoas não ocorre pensar que um sacerdote ou sacerdotisa também dedica toda sua vida a estudar e a preparar-se para ajudá-las de várias maneiras. É como a lei do funil: o mais largo para alguns e o mais estreito para outros. E por quê? Pensem vocês mesmos e verão que é uma total injustiça social. Talvez alguns pensem que sacerdotes e sacerdotisas podem ser qualquer um e que por trás dessas ocupações se encobrem inúmeras formas de fraude e engano; isso existe também, mas acaso não há outros profissionais ruins e inescrupulosos em nossa sociedade? Às pessoas é muito fácil pensar que por um bem recebido pela mediação de um sacerdote ou sacerdotisa, o pagamento pelos serviços desses ocorre única e exclusivamente pelas divindades. Aqui se aplica a estúpida e egoísta relação patrão-empregado: imaginam que, como sacerdotes, estes sejam empregados das divindades e são elas que devem recompensá-los por seu trabalho; nada mais absurdo!

O sacerdote de Òrìṣà também é um ser humano: nasce, vive e morre como todos os demais seres humanos; basicamente tem as mesmas necessidades materiais de vida que os demais e o serviço social que prestam à humanidade o realizam na Terra, entre os seres humanos, portanto, também tem que viver como seres humanos.

 

Categoria: Antropologia, Cultura, História, Mitologia, Tradição Escrita, Transmissão de Conhecimento
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Provérbio Yorubá

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 25/04/2015 às 21h44

Categoria: Cultura, Tradição Escrita, Tradução, Transmissão de Conhecimento
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Provérbio Yorubá

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 18/04/2015 às 01h13

Categoria: Cultura, Tradição Escrita, Tradução, Transmissão de Conhecimento
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Sorteio do CD “Pèrègún..." de Félix Ayoh’OMIDIRE e Iuri Passos

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 14/04/2015 às 22h30

A Ìwé Ìmọ̀ - Candomblé sem Segredos vai sortear o raríssimo CD “Pèrègún e Outras Fabulações da Minha Terra”, cujo arranjador é Iuri Passos, que abriu a série de entrevistas do nosso site.

 

Lançado em 2010 por Félix Ayoh’OMIDIRE, o CD é uma coletânea de contos que nos oferece a oportunidade de entrarmos em contato com narrativas de uma cultura com a qual a maioria dos afro-brasileiros vem dialogando há muito tempo. Com direção artística de J. Velloso e a percussão dos Alágbè do Gantois, “Pèrègún” é “um marco na musicalidade dos discos que já foram gravados”, avalia o arranjador.

 

Félix Ayoh’OMIDIRE, autor do CD

 

O CD possui vinte e quatro faixas cantadas em yorubá (com letras e traduções), por Félix e sua família com base rítmica dos toques do candomblé, desde o “agueré” até o “ilú”, passando pelo “ijexá”, dentre outros ritmos.

 

“Pèrègún é uma obra musical extraordinária, original e rara numa aura magistral e divina. Não há como não se emocionar às vezes na audição. É um encontro do Candomblé do Brasil conservado em azeite com uma África que não conhecemos mais, com um yorubá "in natura". Esta obra é mais do que um CD de músicas, é um elo perdido entre Salvador e Ilé Ifẹ”. Diz o pesquisador Gill Sampaio Ominirò.

 

 

Como concorrer:

 

Somente os seguidores da Ìwé Ìmọ̀ (os que curtiram a página), poderão concorrer ao CD e estes devem seguir as seguintes regras:

 

  1. Compartilhar a chamada no Facebook da entrevista de Iuri Passos para nosso site>> http://on.fb.me/NNNFgK;

 

  1. Convidar seus amigos para curtirem a Fanpage clicando em “Convidar amigos para curtir esta Página”, localizado à esquerda da Página, logo abaixo da foto do perfil >> http://on.fb.me/NNNFgK;

 

  1. E, por fim, deixar um comentário sobre o que achou da matéria: “Entrevista com Iuri Passos do terreiro do Gantois” no site, a qual pode ser acessada diretamente por este link>> http://bit.ly/1ErL4A6

 

O sorteio será em 25 de abril de 2015 e o sorteado receberá o CD via Sedex em sua residência.

 

 Iuri Passos, arranjador do CD.

Àwúnre! (Boa sorte!)

Categoria: CD, Cultura, Música, Tradição Escrita, Transmissão de Conhecimento
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Entrevista com Iuri Passos do terreiro do Gantois

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 12/04/2015 às 20h20

Iuri Passos – as mãos e os ouvidos de um velho novo Candomblé do Brasil

 

 

Prestes a completar 35 anos de idade, Iuri é um prodígio na percussão, desde a batida sagrada dos atabaques do candomblé, passando pela sua participação no afro Grupo Ofá, com o qual gravou com excelência o CD Odun Orin, até a orquestração dos instrumentos percussivos quando acompanha a cantora Mariene de Castro com quem trabalha há mais de dez anos. Formado em música em nível superior, é um acadêmico educador e criador do projeto “Rum Alabê”, no qual ensina jovens a tocar atabaques com uma metodologia revolucionária que é a dos toques do candomblé transcritos para a linguagem musical da partitura, que é a representação escrita do abstrato da música.

 

Iuri é um baiano legítimo de São Salvador, Roma Negra iluminada pela beleza de seu povo. É filho do Ilé Ìyá Omi Àṣẹ Ìyámase, no alto do Gantois, nasceu dentro do terreiro e é sobrinho do venerável Yomar Passos, asọ́gbá do Gantois e de Tufi, bàbá tàlábi da mesma casa. Filho de Márcia de Ṣàngó que mora até hoje no terreiro. E foi no alto do Gantois que Iuri recebeu o pesquisador Gill Sampaio Ominirò para uma entrevista.

 

Vista do da entrada do barracão do terreiro do Gantois

 

Iuri foi iniciado com 11 anos de idade e nos conta que alcançou o convívio com Mãe Menininha que o protegia de sua mãe quando esta queria lhe dar “uns tapas”. Chamava Mãe Menininha carinhosamente de vó, restabelecendo laços biológicos através do candomblé, algo corrente na religião:

Ela criou todo mundo, era o aconchego.”

 

 Mãe Menininha

 

Iuri não é ọgá (ogan), foi iniciado para o Òrìṣà, porém não incorpora. Segundo ele, é uma tradição do Gantois na qual, os homens, os que não incorporam, são assim iniciados e recebem cargos na casa:

 

Eu sou filho de santo, não sou ogan”. Esclarece ele. 

Tradição Oral X Tradição Escrita

 

Sendo de uma das casas mais tradicionais de candomblé do Brasil, Iuri não aprendeu a fazer candomblé e ser de candomblé numa tradição escrita e sim oral, porém vê com bons olhos a possibilidade de se registrar parte dos ritos, o que no candomblé é, em geral, visto como censurável:

 

Gill, você tocou num assunto interessante porque eu tenho vivido muito isso na prática como educador. Estou desenvolvendo um método de escrita e aprendizagem dos ritmos do candomblé. E tenho sofrido muitas críticas a respeito disso, porque as pessoas antigas não entendem muito essa estrutura. Mas eu acho que tudo que serve como um facilitador nesse aprendizado é importante na nossa religião. Porque a gente passa por um momento muito crítico. Porque hoje muitas pessoas fazem questão de aprender mil cantigas do que aprender uma como se cantava em seu terreiro ou como os mais velhos aprenderam...

 

No trecho acima, Iuri exalta o aprendizado pela forma escrita, mas não em detrimento da tradição oral, demonstrando que sabe lidar sabiamente com as duas tradições sem que uma entre em choque com a outra, havendo um equilíbrio necessário para que se mantenha a essência da oralidade sem se deixar de registrar para a posteridade os ensinamentos do candomblé.

 

Mãe Carmem, que eu chamo de tia, ela vê muito o aprendizado dessa forma, que você tem que aprender oralmente. É o tempo dela, foi como ela aprendeu.

 

Mãe Carmem, atual sacerdotisa do Gantois

 

Aí a demonstração do respeito pela oralidade, pela ancestralidade daqueles que formaram e perpetuaram o candomblé pela difícil via da tradição oral.

 

Eu sou a favor de qualquer registro, claro, com orientação, não um registro para se colocar na Internet, no Youtube, mas uma coisa que preserve...” Diz o músico.

 

 

O Iuri arranjador

 

Em 2010, foi lançado o livro “Pèrègún e Outras Fabulações da Minha Terra”, por Félix Ayoh’OMIDIRE, professor de línguas e de estudos culturais e literários na Obafemi Awolowo University, Ilé Ifẹ, na Nigéria e professor da UFBA. E na sequência um CD de mesmo nome. O CD é uma coletânea apresentada no exercício da memória de Félix Ayoh'OMIDIRE que nos oferece a oportunidade de entrarmos em contato com narrativas de uma cultura com a qual a maioria dos afro-brasileiros, consciente ou inconscientemente, vem dialogando há muito tempo. Com direção artística de J. Velloso e a percussão dos Alágbè do Gantois, “Pèrègún” tem arranjos do nosso entrevistado:

 

Eu conheci Felix aqui no Gantois, ele veio a uma festa de candomblé e ficou muito encantado com os toques a ponto de dizer que estava se sentindo na África. A gravação foi algo meio que mágico. Félix ia cantando e eu marcando no gan e dando os ritmos. Jotinha achava que levaríamos uma semana e no final levou mais ou menos cinco horas.”

 

O CD Pèrègún possui vinte e quatro faixas cantadas em yorubá por Félix e sua família com base rítmica dos toques do candomblé, desde o “agueré” até o “ilú”, passando pelo “ijexá”, dentre outros. Uma obra musical extraordinária, original e rara, repleta de significados e significantes numa aura magistral e divina. Não há como não se emocionar às vezes na audição.

 

“...É um momento tão importante, porque justamente quando você ouve o yorubá e vê a África encontrando aquilo que separou um pouco. E musicalmente é tão rico porque você tem a oportunidade de ouvir o yorubá cantado da forma que é. E eu ficava torcendo para aquilo não acabar no estúdio... Não que o nosso não seja lindo, mas a gente sabe que por várias interferências a gente perdeu muita coisa... Eu acho que é um marco na musicalidade dos discos que já foram gravados. É um africano cantando em cima dos ritmos do candomblé. Isso é algo que não existe.”

 

Pèrègún é um encontro do candomblé conservado em azeite com uma África que não conhecemos mais, com um yorubá in natura. Esta obra é mais que um CD de músicas, é um elo perdido entre Salvador e Ilé Ifẹ.

 

 

Sobre novos projetos, Iuri nos informa, em primeira mão, que está debruçado sobre as sonoridades da “Santeria”, que é um sistema religioso que funde crenças católicas com a religião tradicional yorubá, praticado em Cuba, Porto Rico, na República Dominicana, Venezuela, no Panamá e em centros de população latino-americana nos Estados Unidos como Florida, Nova York, e Califórnia.

Meu projeto agora é com um amigo meu que se chama José Esquerdo, que é um chileno e que tem uma musicalidade toda formada pela Santeria Cubana. Meu projeto com ele agora é fazer algumas coisas de candomblé com a Santeria, usando os batás. Estamos selecionando canções e tendo encontros e que seja da vontade dos Òrìṣà que aconteça...

Iuri é, no melhor sentido da palavra, um visionário e com uma visão muito ampla do que é fazer arte numa comunidade afro-brasileira, entende que o grande propósito do seu trabalho é levar informação para minimizar o preconceito contra as religiões afro.

“Porque infelizmente o preconceito é tão forte, a falta de informação e tão grande... Se eu disser a você que tenho 50 alunos percussionistas aqui da Bahia, eu estou mentindo. Eu tenho aluno pianista francês, tenho aluno baterista chileno, eu tenho aluno americano, alemão. Mas os que são da Bahia, poucos conhecem. Conhece o quê? ijexá, agueré. Conhece de ouvir, assim de longe. Então, acho que na verdade nossa função é essa, é disseminar essa semente para que outros possam conhecer esse trabalho.”

 

CD Odun Orin, no qual Iuri é um dos percussionistas 

 

Quanto ao preconceito que o candomblé sofre da sociedade, Iuri é taxativo e responde sem titubear:

A melhor forma de diminuir o preconceito contra o candomblé é levar informação para quem não é de candomblé.”

Iuri nos traz uma problemática das instituições acadêmicas tradicionais de música, as quais não têm em seu rol de disciplinas, a música percussiva afro-brasileira:

“...Eu não aprendi nada da cultura da Bahia (na academia). só aprendi Beethoven, Bach, Mozart; que foi maravilhoso para minha formação, mas não é nossa essência, não é o que vou usar no meu dia a dia. Claro que eu estava estudando piano, então tinha que aprender, mas nas outras matérias, no decorrer do curso, tem horas que você começa entender que falta muito para formar o aluno no conhecimento.”

 

Categoria: Candomblés Antigos, Cultura, Família de Àṣẹ, História, Música, Tradição Escrita, Transmissão de Conhecimento
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Exposição apresenta o múltiplo Brasil de Carybé

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 08/04/2015 às 17h27

 

Quando leu Jubiabá (1935), Carybé decidiu incluir a Bahia no roteiro da sua primeira viagem ao Brasil em 1938. "Ele queria saber se o que Jorge Amado escreveu era verdade", conta Solange Bernabó, filha do pintor argentino.
Segundo ela, a descrição que o autor baiano fez sobre sua terra causou tal impacto no artista que ele teve certeza de que precisava conferir esses encantos.

"Ele viu a Bahia numa clara tarde de agosto. Ao chegar aqui, viajou de caminhão, se aventurou em navios, morou com índios e cruzou o país do Oiapoque ao Chuí", afirma.

A exposição Aquarelas de Carybé entra em cartaz nesta terça-feira, 7, às 19 horas, na Caixa Cultural e materializa em duas mostras - Aquarelas do Descobrimento e As Cores do Sagrado - a singularidade com que o estrangeiro conseguiu se apropriar de relevantes aspectos da cultura brasileira e baiana.

São cem obras reunidas: 50 delas abordam a história do descobrimento do Brasil e as outras tematizam as tradições do culto aos deuses africanos no candomblé.
Solange é a responsável pela curadoria da exposição e afirma que o desejo do seu pai era retratar o cotidiano do povo das Américas.

"Por ter vindo de fora, meu pai conseguiu dar vida a manifestações pouco retratadas. É comum quem vive no lugar não atentar para aspectos que estão muito próximos. As histórias dos povos negro e indígena, por exemplo, tiveram espaço de relevância na sua obra".

Em 1967, a editora Sabiá lançava o livro Carta a El Rey Dom Manuel, adaptação da carta de Pero Vaz de Caminha para o rei de Portugal feita por Rubem Braga.
De acordo com Solange Bernabó, a intenção da obra era marcar a comemoração dos 500 anos de Pedro Álvares Cabral.

"Todas as ilustrações dessa publicação foram feitas por Carybé a nanquim e reconstituem momentos importantes da expedição que chegou ao nosso país como o primeiro contato entre portugueses e índios e a primeira missa".

Ela diz que anos depois, o argentino resolveu aquarelar essa série de desenhos e hoje eles chegam inéditos à exposição no formato 42 x 30 cm emoldurados em vidro e passe-partout.

As Cores do Sagrado

Solange destaca o trabalho de registro executado por Carybé entre os anos de 1950 e 1980 em casas de candomblé de Salvador.

"Esse é um parêntese na obra de meu pai porque é documental. As cerimônias não podiam ser fotografadas, então ele contou apenas com sua memória visual".
Solange explica que Carybé era obá de xangô do Ilê Axé Opô Afonjá, então comandado por Mãe Senhora, e aos poucos passou a ter mais conhecimento sobre os rituais.

"Dessa forma, ele pôde retratar com mais exatidão as festas, os eventos de iniciação e até incorporação dos orixás".

Carybé também visitava periodicamente outras casas, como o Gantois, Bate Folha e Casa Branca.

"Tivemos um trabalho difícil de selecionar as 50 imagens que seriam expostas em um universo de 128 aquarelas".

Todas estão reunidas no livro Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, publicado pelo governo da Estado em 1981 e hoje esgotado nas livrarias.
Depois de Salvador, a exposição ainda vai passar por Recife e Rio de Janeiro.

Obra perpetuada

O próximo passo para a manutenção do legado deixado por Carybé à cultura brasileira é a implantação do Espaço Cultural Carybé.

Solange diz que o projeto está em vias de finalizar o processo de licitação e confirma que ele será instalado no Forte de São Pedro, localizado no Campo Grande.

"Será um espaço virtual e sem obras físicas, por conta da proximidade com o mar. O projeto não está totalmente formado, mas tudo que venha contribuir para divulgação do trabalho dele nos interessa".

 

 

Programe-se

O quê: Exposição "Aquarelas de Carybé"
Quando: De terça a domingo, das 9h às 18h, até 17 de maio (abertura nesta terça-feira, 7, às 19h)
Onde: Caixa Cultural Salvador (Rua Carlos Gomes, 57, Centro)
Quanto: Gratuito
Informações: (71) 3421-4200

http://atarde.uol.com.br/cultura/exposicao/noticias/1672069-exposicao-apresenta-o-multiplo-brasil-de-carybe

Categoria: Cultura, Recomendamos
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O Exército de um Deus que não ama o próximo.

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 08/03/2015 às 23h30

Temos Ògún, mas será que estamos prontos para a Guerra contra os Gladiadores do Altar?

Fato é que os últimos acontecimentos são, no mínimo, preocupantes. Como se já não se bastassem mais de 300 anos de perseguição e de crimes de intolerância religiosa, eis que surge a novidade: um exército de jovens bem treinados pela Igreja Universal que promete dar as próprias vidas pelo "Senhor".

Daí eu me pergunto: que senhor é este que pede a vida de seus jovens como sacrifício? E mais, até onde estes sacrifícios colocam nossa liberdade de crença em “xeque”?

Vale lembrar que o Deus hebreu do antigo testamento exigia sacrifícios de toda a sorte, incluindo o da própria vida. Porém, a filosofia de Jesus Cristo levou por terra toda a rigidez do Velho Testamento e trouxe para a modernidade o lema de “amor ao próximo como a si mesmo”.

 

 

Fato que chama a atenção também, foi ver uma imagem do líder Bispo Macedo apresentar sua banheira de ouro maciço como lugar onde, segundo ele, faz contato direto com o Senhor. Pensemos: Será o Senhor que se comunica com Macedo na banheira de ouro, o mesmo a quem esses jovens entregarão suas vidas?

Respeito o sacrifício religioso. Respeito até quem dê a própria vida por uma força maior. Só não posso aceitar que esse sacrifício signifique uma guerra declarada contra o meu Povo de Àṣẹ e outros movimentos sociais que, assim como nós, são constantemente atacados pela Fé Cega que assiste a Record.

O argumento de "projeto social" usado pela Igreja não nos convence, pois o passado e o presente têm nos marcado como caças de Fanáticos Evangélicos, que desde sempre tentam nos impor seus dogmas goela a baixo da maneira mais violenta possível. Seja demonizando nossa Fé em rede nacional, seja ateando fogo em terreiros, agredindo fisicamente nossos sacerdotes, ou provocando a morte dos nossos mais velhos, como aconteceu com Mãe Gilda na Bahia.

 

 

Para quem não sabe: Mãe Gilda foi a Ìyálòrìṣà baiana que faleceu após agravamento de problemas de saúde quando viu sua foto estampada no jornal da IURD que a insultava com os dizeres “charlatã”, “macumbeira”, dentre outras calúnias. Infelizmente, foi preciso que Mãe Gilda desse sua vida para que fosse instaurado o Dia de Combate à Intolerância Religiosa no Brasil, a saber, 21 de janeiro.

Ao perdemos Mãe Gilda desta maneira, preocupa-nos saber que estamos às margens da História, às margens da sociedade nitidamente racista e intolerante. O pavor maior é que este mal se repita de forma sistemática e que as vítimas deste exército religioso de aparência fascista, pleiteie uma “Guerra Santa” contra os adeptos das religiões afro-brasileiras.

Se você ainda não sabe do que estou falando, por favor, assista a esse vídeo: http://migre.me/oTlbb

 

 

Falo de Ògún no início do texto por ser impossível falar de Guerra e não falar do Guerreiro das religiões afro-brasileiras e por sabemos que não nos desampara nas lutas da vida. No entanto, é preciso dizer que para o momento, não podemos só esperar pela intervenção sagrada e pensar que tudo está nas mãos do nosso Guerreiro que se veste de Mariwo. Ele nos protege sim, mas pede que nos organizemos. Não digo como exército que matará em seu nome, mas como sociedade religiosa que luta por um ideal maior: O direito de expressão de Fé e Culto assegurados.

É lindo que as pessoas comentem: "Eles podem vir que eu tenho Ògún na porta." e coisas do gênero, mas sugiro que além de bem cuidarmos de Ògún, nos preocupemos com a situação que transcende os portões do Ilé, do vizinho e dos meus desafetos. O problema é da comunidade e mesmo que tenhamos muito para fazer dentro de nossas casas, já passou da hora de criarmos um posicionamento efetivo dos povos de religiões afro-brasileiras e ir à luta democraticamente.

Cabe a cada um de nós, e aos movimentos sócio-religiosos, ficarmos atentos e pressionar os poderes competentes para que estejam em alerta com relação às intenções da Igreja Universal no que diz respeito à criação dos "Gladiadores do Altar", tendo em vista que em nossa legislação, é inaceitável uma militarização para fins religiosos.

 

 

Vivemos num país laico, mesmo que em tese, e se o Estado não se posiciona, é dever da sociedade descruzar os braços, acabar com as birras de terreiro para terreiro, de nação para nação e começarmos agir, pois quando os “Gladiadores” chegarem, as primeiras coisas que vão chutar são os ìgbá de Èṣù e Ògún que cuidam dos nossos portões.

Será que o Brasil está entrando nos tempos dos possíveis assassinatos em nome do Deus que se comunica com seu servo de dentro de uma banheira de ouro maciço?

Será que retornaremos às Cruzadas quando os exércitos da Igreja executaram milhares de pessoas na Europa em nome deu um Deus que exigia toda a riqueza possível?

Será que retornaremos à Santa Inquisição na qual inocente queimavam nas chamas das grandes fogueiras por ter como animal doméstico um gato, uma coruja, ou por falar um “palavrão” ou por tecer críticas democráticas para com os dogmas da Igreja?

Em que tempo estamos entrando?

Texto de Roger Cipó - Olhar de um Cipó e Gill Sampaio Ominirò

 

 

www.facebook.com/olhardeumcipo

[Fotos - Roger Cipó © Olhar de um Cipó 2014 - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved]

Categoria: Antropologia, História
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