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30 anos do Tombamento da Casa Branca

Publicado por Gill Sampaio Ominirô em 09/07/2014 às 15h44

 

Ilê Axé Ìyá Nassô Oká

Trinta anos como Patrimônio Histórico Nacional

 

Há 30 anos a sede da Santa Casa de Misericórdia, em Salvador, foi palco de uma sessão histórica: a declaração de tombamento do terreiro “Ilê Axé Ìyá Nassô Oká”, mais conhecido como Casa Branca, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Naquele 31 de maio de 1984, o terreiro ganhou status de patrimônio nacional. Essa declaração mudou os parâmetros sobre os critérios para reconhecimento de um bem como parte da memória e indispensável para a formação da cultura  brasileira.

Quando se vê a estrutura da Casa Branca preservada com uma praça projetada por Oscar Niemeyer  e um gradil modelado por Bel Borba, talvez não se consiga dimensionar o que significou a sessão do tombamento.

De acordo com o antropólogo Ordep Serra, o terreiro, que é considerado o mais antigo de nação Ketu do Brasil, poderia ter desaparecido. "Em uma das sessões na luta pelo tombamento, o  presidente da sociedade civil do terreiro, Agnelo Pereira, disse que, se derrubaram a catedral da Sé, católica, imagine o que não se faria com um terreiro sem proteção", conta Serra.

"O tombamento da Casa Branca foi uma vitória contra o etnocentrismo, o  eurocentrismo e também contra o racismo ", completa Serra.

Uma amostra de como a batalha foi difícil é o resultado da sessão especial de tombamento: três votos a favor; um pelo adiamento;  um  contra e duas abstenções.

 

 

Aliás, a atuação de Marcos Vinicios Vilaça, titular do órgão, que na época tinha outro nome -  Sphan - foi fundamental, assim como o papel do antropólogo Gilberto Velho,  relator do projeto.

Claro que tudo só foi possível pela coragem da comunidade da Casa Branca em  aceitar o tombamento quando não havia precedentes. A luta comunitária foi encabeçada pelo presidente da Sociedade São Jorge do Engenho Velho, o ogà Antônio Agnelo Pereira, e de Mãe Teté e outras  sacerdotisas da Casa.

Além disso, a causa ganhou a simpatia e apoio de ìyálòrìṣà de outros terreiros como Mãe Stella do Ilê Axé Opô Afonjá e Mãe Menininha, do Gantois. Jorge Amado,  Carybé e até  sacerdotes católicos como o abade do Mosteiro de São Bento, dom Timóteo Amoroso Anastácio, também apoiaram a causa.

O reconhecimento da Casa Branca era a oficialização de uma constatação óbvia, mas até então ignorada pelo Estado brasileiro: a construção da identidade nacional tinha contribuição de matriz africana. A partir de então, o caminho estava aberto.

Além da Casa Branca, mais sete terreiros são reconhecidos como patrimônio nacional: Ilê Axé Opô Afonjá (1999); Casa das Minas (2001); Gantois (2002); Bate Folha (2003); Alaketo (2004); Oxumarê (2013) e o Seja Hundé, conhecido como Roça do Ventura, que tem pré-tombamento aprovado desde  2011.

Do total de templos afro-brasileiros reconhecidos pelo Iphan, apenas um está fora da Bahia: a Casa das Minas, no Maranhão.

O Barracão que tem o nome de Casa Branca é uma edificação alongada com várias divisões internas que encerram residências das principais pessoas do Terreiro, como também espaços reservados aos quartos de Òrìṣà, quarto de àṣẹ, salão onde são realizadas as festas públicas, bem como a cozinha onde as comidas sagradas são preparadas. Uma bandeira branca hasteada no Terreiro indica o caráter sagrado deste espaço. No telhado do Barracão, símbolos de Ṣàngó identificam o Patrono do Templo.

 

 

A Sociedade Beneficente e Recreativa São Jorge do Engenho Velho – que representa o candomblé da Casa Branca – foi fundada em 25 de julho de 1943, registrada no Cartório Especial de Títulos e Documentos em 2 de maio de 1945 sob o nº. 15.599. Declarada de utilidade pública pela Lei Municipal 759, de 31 de dezembro de 1956 e é regida por Estatuto e tem personalidade jurídica.

Texto de Gill Sampaio Ominirô, tendo usado como referência, reportagem do site A Tarde, conforme link abaixo:

http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/tombamento-da-casa-branca-completa-30-anos-1590682

Categoria: Antropologia, Àṣẹ, Candomblés Antigos, Cultura, Família de Àṣẹ, História
Tags: afro, axé, candomblé, casa branca, culto, história, orixá, yorubá

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