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CD Ṣiré Nàgó-Ketu – Parte I

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 24/10/2016 às 01h53

Por Gill Sampaio Ominirò

 

A Ìwé Ìmọ̀ fará uma série de matérias sobre o mais novo produto musical afro-brasileiro lançado no Brasil. Trata-se do disco Ṣiré Nàgó-Ketu, produzido pelo Ilé Ibúalámọn e lançado em 1º de outubro de 2016, em São Paulo, exclusivamente em formato CD.

Falaremos sobre a questão estética, sobre o conceito e sobre a música, parte por parte e, no final, sortearemos na nossa fanpage, três exemplares do Cd, os quais serão enviados via Correios para os ganhadores. Portanto, fiquem ligados e marquem na página a opção para receber todas as notificações.

Começaremos, então, esta série de matérias pelo olhar mais fácil, pela estética do disco, suas imagens e pelo uso do texto.

Pois bem, em principio é importante destacar que o trabalho é um tributo ao sacerdote do Ilé Ibúalámọn, Pai José Carlos, morto em 2012. Diante disso, imagens do bàbá perfazem o conjunto fotográfico do disco, não construindo um compêndio saudosista, pelo contrário, é a celebração da vida e da sua presença que ficam claras nas imagens espalhadas pelo luxuoso digipack que serve de berço ao compact disc, o qual também foi cuidadosamente trabalhado em sua apresentação com imagem gravada.

Trata-se de um digipack de duas abas com berço central para a acomodação do Cd físico. Este tipo de formato é o mesmo usado por astros da música brasileira, mas sendo que este formato utilizado é bem mais sofisticado que os lançamentos em geral. Há ainda um encarte acoplado, com três lâminas que se tornam seis páginas, tudo ricamente ilustrado com imagens coloridas e impresso em papel couché, o que dá um acabamento visual às imagens muito melhorado.

Seguimos ainda nas imagens para dizer que o disco nos proporciona, ainda que sucintamente, uma viagem pela história do candomblé baiano na sua vertente do Àṣẹ Ilha Amarela, fundado pelo Bàbá Otavio de Ilha Amarela, o qual foi iniciado por Tia Massi da Casa Branca do Engenho Velho, nas primeiras décadas do século XX. Imagens de Pai Otavio, Pai Camilo e Mãe Célia, cada um em sua época, baluartes do antigo candomblé baiano, registra claramente a preocupação dos organizadores do disco em preservar a família.

Chama-nos muito a atenção uma imagem na qual Opotun Vinícius abraça a Ìyálòrìṣà Gabriela, sua irmã. Nenhuma imagem no disco, por incrível que pareça, representa melhor o intuito deste projeto. Do ponto de vista imagético, em ambos os sentidos que esta expressão possui, esta imagem representa, contundentemente, todo o cerne imaginário da obra, qual seja, o amor. 

 

 

Vinicius e Gabriela são filhos biológicos do homenageado e ambos são os responsáveis pela construção do disco, sendo que coube a Vinícius os arranjos e a direção artística dele.

 

O trabalho gráfico do disco é, portanto, primoroso, sofisticado e ao mesmo tempo, simples. Possivelmente é justamente esta simplicidade que o torna tão sofisticado. Num mundo de virtualidades e futilidades descartáveis no qual vivemos, o conjunto de imagens e trabalho gráfico do disco é um alívio para nossos olhos cansados de observar a desumanização das relações humanas, por mais paradoxal que isso pareça. Para ver mais imagens, clique no link a seguir e confira em nosso site.

 

O texto

 

O texto ou os textos do disco são um caso à parte e merecem destaque. No caso dos textos-depoimentos como os de Mãe Luizinha de Nàná do Àṣẹ Batistini ou do Ọ̀gá Wilson de Ọ̀ṣun, melhor amigo de pai José Carlos, temos a certeza de que há amor impresso em cada palavra, não só por admiração deles para com o falecido sacerdote, mas por companheirismo mesmo. Os textos escritos por estes dois nos levam carinhosamente a darmos um afago em pai José Carlos com nossas próprias mãos.

Não podemos deixar de mencionar que há duas pequenas falhas no conjunto dos textos. Uma é de não haver um texto específico que conte a história de Pai José Carlos para aqueles que não o conhecem Brasil a fora. A outra é a não disponibilização das traduções dos cânticos do yorubá para o português. Em tempos atuais de sede de informações, é imprescindível sabermos o que estamos ouvindo e cantando para que saibamos das mensagens sempre tão belas e importantes que os cânticos yorubá nos trazem. Fica a produção do disco devendo estes detalhes para a próxima edição do CD. No entanto, estas ausências não diminuem em nenhum momento a beleza gráfica, estética ou textual do disco.

 

 

Por falar em texto, a língua portuguesa foi bem empregada, com alguns pequenos desvios que também podem ser corrigidos numa próxima edição. Igualmente assim foi o uso da língua yorubá. Os seguidores da Ìwé Ìmọ̀ sabem o quanto o yorubá é difícil de lidar. Possui uma gramática tonal com muitas acentuações e sinais gráficos, os quais são indispensáveis para uma leitura correta e respectiva tradução, mas sabemos também que no universo afro-brasileiro, um dialeto do yorubá foi criado e é este que, em geral, é empregado. Todo caso, não se pode deixar de perceber o esforço dos produtores para que tudo fosse escrito num yorubá o mais próximo do correto possível, é admirável, raro até. Não há desleixo, talvez apenas não houve revisões adequadas. Para ser sincero, desconheço um disco com cânticos de candomblé que possua um yorubá tão bem grafado como este, e, ainda assim, não estando perfeito, podemos ter uma ideia do grau de dificuldade que é exigido para se lidar com esse belo e complexo idioma africano.

Enfim, no que diz respeito à estética, aos textos e à parte gráfica do CD Ṣiré Nàgó-Kétu, o que temos a dizer é que o produto final é extraordinário. A página recomenda aos nossos seguidores a compra do disco que é muito mais do que um produto mercantil afro-brasileiro, é uma linda declaração de amor para um pai que soube deixar um legado antes de partir para o Ọ̀rún.

 

Gill Sampaio Ominirò

Gill Sampaio, no lançamento do Cd, já admirado com a qualidade gráfica do disco.

 

E, no próximo texto, falaremos exatamente sobre isso, sobre o cerne deste disco, a homenagem e o homenageado. Quem é esse sacerdote que deixou tal legado e que espalhou amor por onde passou?

 

Aos nossos seguidores, segue o link direto para a aquisição do disco. Comprem à vontade e sem medo, deem de presente aos amigos e irmãos sem a menor sombra de dúvida de que vão gostar>> Compre aqui

Categoria: CD, Cultura, Família de Àṣẹ, História, Música, Recomendamos, Tradição Escrita, Transmissão de Conhecimento

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