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Ìyá Nitinha de Òṣun

Publicado por em 04/09/2014 às 16h00

 

Areonithe da Conceição Chagas, Ìyá Nitinha de Òṣun, nasceu no dia 12 de setembro de 1928, em Santo amaro de Ipitanga, na Bahia.

 

Filha de Izidora com um espanhol foi criada por Maria da Natividade Pereira, mais conhecida como “Cotinha”, Ògúnjobì, filha de santo da Casa Branca, mais precisamente do terceiro barco de Ìyá Massi, Oìnfunkẹ̀.

Aos quatro anos de idade, Ìyá Nitinha foi iniciada para Òṣun, por Ìyá Massi. Aos quatorze anos casou-se com um filho de Ògún do Jeje de Cachoeira - BA, conhecido como “Seu Benzinho”. Ele era Oluwò, ou seja, jogava os búzios para a Casa Branca, além de outras casas importantes. Desta União nasceram dois filhos, ambos Ogà da Casa Branca: Areelson (Ogà Léo) e Arehigino (Ogà Gininho), confirmados por Ìyá Massi.

 



Durante esta união Ìyá Nitinha galgou conhecimento sobre a nação Jeje, pois Seu Benzinho era um grande e respeitado Olùwò.
Tempos depois, ela passou a trabalhar nas profissões nas quais era formada, a saber, parteira e professora primária, na Comunidade do Portão - BA.

Mais tarde, um terceiro filho, Antônio Luís (Ogà Julinho).
No Ilé Àṣẹ Ìyá Nasó Oká - Casa Branca, recebeu os postos de Ìyátebeṣé, Ojúodé e Ìyákekeré. Também recebeu o posto de Ìyágà no Ilê Agboulá no bairro das Amoreiras em Itaparica - BA, sendo o maior posto dado a uma mulher no culto de Bàbá Egùn.


Fundou sua primeira casa de Candomblé em 1960, no Município de Santo Amaro do Ipitanga em Pitangueiras - BA.

 



E assim Ìyá Nitinha não parou e em 23 de abril de 1972 fundou a Sociedade Nossa Senhora das Candeias (Aṣè Ìyá Nassô Oká Ilê Òṣun) na Cidade de Nova Iguaçu - RJ, mais precisamente no bairro de Miguel Couto, na Baixada Fluminense.

Neste foram iniciados mais de 500 filhos de santo, Ogà e Ekèje.
Sempre correta em suas atitudes e dedicada aos seus trabalhos como Ìyáloriṣá, Ìyá Nitinha era um exemplo de respeito e cumplicidade para com os Òrìṣà, aos quais dedicou toda a sua vida.

Conheceu o Presidente Lula no Rio de Janeiro há dez anos e depois, em 2005, foi convidada pelo próprio Presidente para fazer parte da Comitiva Religiosa que participaria do funeral do Papa João Paulo II. Ao ser perguntada sobre o atraso que a fez perder o voo, Ìyá dizia: “O santo mandou ficar”.

Em 2007 foi condecorada com a Comenda da Ordem do Rio Branco, também pelo Presidente Lula em Brasília, maior condecoração que um civil pode receber no Brasil.


Ìyá Nitinha recebendo do presidente Lula a medalha da Ordem do Rio Branco, maior condecoração que pode ser recebida por um civil no Brasil.

 

Ìyá Nitinha era animada, exuberante e graciosa, mas também enérgica quando preciso. Conhecida nacional e internacionalmente, tinha filhos espalhados pelo Brasil, Argentina, França, Portugal, Itália, EUA dentre outros países. Conquistou sua fama por conta de seus conhecimentos e sapiência no Candomblé em suas diferentes Nações e também pela seriedade e leveza com que conduzia a religião e a Casa. 

 

 

 

Ìyá Nitinha não era apenas um exemplo de Ìyáloriṣá, tinha poder nas decisões e a magia no olhar, foi incontestavelmente uma das maiores lideranças religiosas na Bahia e no Rio de Janeiro.


Dia 04 de fevereiro é uma data inesquecível para o Candomblé do Brasil e principalmente para os filhos e descendentes da Casa Branca do Engenho Velho. Veio a falecer no Hospital Evangélico, em Brotas, onde estava internada há 12 dias, vítima de insuficiência respiratória. Foi sepultada dia 05 de fevereiro 2008, às 14h, no Cemitério Jardim da Saudade, também em Salvador - Bahia.

 

No terreiro da Casa Branca iniciaram-se no dia seguinte os rituais de Ajèjè, que tem duração de vários dias. O Ajèjè em Miguel Couto teve início em 12 de março de 2008, sob a direção do Bàbálòrìṣà Air José, do Terreiro Pilão de Prata e Pai Valdemar Ogunssy do Ilê Axé Alarabedê.

Fonte: http://www.maenitinha.com.br/ (com alterações no yorubá).

 

Uma Ìyáloriṣá importante para a cultura brasileira e mais ainda para a religião do Candomblé.

A Flor do Velho Engenho

Artista - Lucio Sanfilippo
Participação - Lucinha Pessoa
Direção - Rafael Eiras

 

Ìyá (poema)

Gill Sampaio Ominirò

 

Ìyá

Minúscula palavra do idioma yorubá

Lingüisticamente insignificante, monossilábica

Essa pequena palavra incorpora um sentido incalculável

Incorpora a força de todo um povo que se mantém regido pela feminilidade

Sob a égide do amor

E toda essa feminilidade se condensa numa pequena grande mulher...

 

Quem é essa mulher?

 

Quem é essa que traz um brilho intenso nos olhos rasgados?

Olhos doces, olhos de fogo!

O sorriso plácido... O olhar audaz!

 

Uma mulher...

Ou mais que uma mulher, uma geradora

Uma genitora de ventre cheio

 

Água doce do rio calmo, mas do rio fundo

Águas profundas: Ominíbú

 

Quem é essa mulher?

De onde vem tanta resistência?

Quem é essa mulher que me arranca do pesadelo?

Que visita meus sonhos?

 

Onde está quem lhe criou?

Que deusa lhe construiu?

Que guerreiro lhe semeou?

Que mulher é essa que me mostra o caminho e é a palmatória para meus erros?

 

Senhora de tão alta nobreza!

Ela é a própria divindade...

Ela é a Deusa

 

Mal lhe conheço

Mas me basta o brilho em seus olhos para eu saber quem ela é

Esse brilho doce de água em ebulição

Esse olhar de nobre baiana que põe um país inteiro aos seus pés

 

Quem é essa mulher que pode?

Que tudo pode?

De certo, nem ela mesma sabe como é grande e importante

 

É a grande mãe

Deusa da maternidade!

 

Ela é ela...

A que salva do abandono aqueles que se encontram sem dono

A que nos trás ao seu ventre

A que dispõe sempre um colo

 

Ela é a que não dança:       Flutua

Que não fala:                      Canta

Que não aconselha:           Reza

Que não acaricia:               Abençoa

 

Ìyá: pequena palavra que traduz uma gigante

A pequena gigante que tudo vence

Que ama

E que se encontrará eternamente cravada no escaninho mais sublime da minha alma

 

E que nome traz essa mulher?

Ìyá Nitinha

Tranquilamente poderia se chamar Ìyá Rainha

 

“Rainha Negra da Voz. Mãe de Todos Nós”

 

E ao mundo eu grito sem resistir:

Somente o fato de ser amado por ela e fazer parte de sua família...

Tornam válido o fato de eu existir



"Escrevi este poema em 2004 e tive o prazer de dizê-lo a ela, à Ìyá Nitinha, na cozinha de nossa casa de Candomblé em Miguel Couto, ela o ouviu e emocionada me aplaudiu."

Categoria: Antropologia, Àṣẹ, Ìyáloriṣà, Candomblés Antigos, Família de Àṣẹ, História, Tradição Escrita, Transmissão de Conhecimento
Tags: Ìyá Nitinha de Ọ̀ṣun, Candomblé, Mãe de Santo

Comentários

Cassia Lane Eloya em 07/02/2017 15:05:37
Linda essa história
Ela era minha avó de santo
Meu pai de santo e Celio delduke de Oya do axé pilares
Tenho muito orgulho de ter sido inicianada por essas pessoas maravilhosas e muito sabias
Mauro Nunes em 06/08/2014 10:02:27
Parabéns Gil pelo relato sucinto, mas bem elaborado, contemplando os fatos principais da vida de nossa Mãe.
Monica ty'ogum em 04/08/2014 08:48:52
Sou filha de santo de Carlos de Logundé de Cabuçú, neta de Odesse e bisneta yalorixá Nitinha, achei ótimo que você está certo em enaltecer ela e nosso axé ,pois sinto muito falta de coisas assim, sobre nosso axé.

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