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Mês da Consciência Negra

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 01/11/2015 às 14h05

 

Consciência Negra!

 

O dia 20 de novembro no Brasil representa um importante momento da história  para grande parte da população, que é representada por negros e pardos.

 

A data lembra a morte do líder Zumbi dos Palmares, que lutou pela libertação dos negros escravizados durante o período colonial no País.

 

O Brasil tem aproximadamente 1.209 comunidades quilombolas em 143 áreas já tituladas, segundo levantamento da Fundação Cultural Palmares, órgão do Ministério da Cultura. Elas estão em todos os estados, exceto no Acre, Roraima e Distrito Federal. As maiores populações de quilombolas estão na Bahia, Maranhão, Minas Gerais e Pará.

 

A adesão ao feriado ou instituição de ponto facultativo é decisão legal de cada estado ou município. Mais de 700 cidades já adotaram o feriado, quando é comemorado o Dia da Consciência Negra.

 

A data é considerada como uma ação afirmativa de promoção da igualdade racial e uma referência para a população afrodescendente dedicada à reflexão sobre as consequências do racismo e sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. 

Caso seja sancionado pela Presidência da República o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, será o primeiro feriado do País originário da mobilização do movimento negro e o nono feriado nacional.

 

“A luta pela liberdade dos negros brasileiros jamais cessou. Em 1971, um significativo capítulo de nossa história vinha à tona pela ação de homens e mulheres do Grupo Palmares. Lá do Rio Grande do Sul era revelada a data do assassinato de Zumbi, um dos ícones da República de Palmares. Passados sete anos, ativistas negros reunidos em congresso do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial cunharam o 20 de novembro como Dia da Consciência Negra.

Em 1978, era dado o passo que tornaria Zumbi dos Palmares um herói nacional, vinculado diretamente à resistência do povo negro.

Herdamos os propósitos de Luiza Mahin, Ganga Zumba e legiões de homens e mulheres negros que se rebelaram a um sistema de opressão. Lançaram mão de suas vidas a não se conformarem com a prisão física e de pensamento. Contrapuseram-se ante as tentativas de aniquilamento de seus valores africanos e contribuíram com seus saberes para a fundação e o progresso do Brasil.

Orgulhosamente, exaltamos nossa origem africana e referendamos a unidade de luta pela liberdade de informação, manifestação religiosa e cultural. Buscamos maior participação e cidadania para os afro-brasileiros e nos associamos a outros grupos para dizer não ao racismo, à discriminação e ao preconceito racial.

Que este 20 de Novembro, assim como todos os outros, seja de muita festividade, alegria e renove nossas energias para continuarmos nossa trajetória para conquista de direitos e igualdade de oportunidades. Estejamos todos, homens e mulheres negras, irmanados nesta caminhada pela liberdade e pela consciência da riqueza da diversidade racial!”

Matilde Ribeiro - Ex-ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR.

 

 

História do Dia da Consciência Negra.

 

1600: Negros fugidos ao trabalho escravo nos engenhos de açúcar de Pernambuco, fundam na serra da Barriga o quilombo de Palmares; a população não pára de aumentar, chegarão a ser 30 mil; para os escravos, Palmares é a Terra da Promissão.

1630: Os holandeses invadem o Nordeste brasileiro.

1644: Tal como antes falharam os portugueses, os holandeses falham a tentativa de aniquilar o quilombo de Palmares.

1654: Os portugueses expulsam os holandeses do Nordeste brasileiro.

1655: Nasce Zumbi, num dos mocambos de Palmares.

1662: Criança ainda, Zumbi é aprisionado por soldados e dado ao padre António Melo; será batizado com o nome de Francisco, irá ajudar à missa e estudar português e latim.

1670: Zumbi foge, regressa a Palmares.

1675: Na luta contra os soldados portugueses comandados pelo Sargento-mor Manuel Lopes, Zumbi revela-se grande guerreiro e organizador militar.

1678: A Pedro de Almeida, Governador da capitania de Pernambuco, mais interessa a submissão do que a destruição de Palmares; ao chefe Ganga Zumba propõe a paz e a alforria para todos os quilombolas; Ganga Zumba aceita; Zumbi é contra, não admite que uns negros sejam libertos e outros continuem escravos.

1680: Zumbi impera em Palmares e comanda a resistência contra as tropas portuguesas.

1694: Apoiados pela artilharia, Domingos Jorge Velho e Vieira de Mello comandam o ataque final contra a Cerca do Macaco, principal mocambo de Palmares; embora ferido, Zumbi consegue fugir.

1695, 20 de Novembro: Denunciado por um antigo companheiro, Zumbi é localizado, preso e degolado.

 

 

A libertação dos escravos se deu por lei, sem qualquer forma de legitimação e reconhecimento da dignidade humana do negro pelo branco, principalmente, nenhum projeto de estruturação física e psíquica para esses novos livres. Sequer a igreja, representante da solidariedade na nossa sociedade, utilizou seu poder para conscientizar as pessoas da injustiça em atenção.

Apesar de toda a perspectiva histórica ora apresentada, ainda é comum a argumentação que inexiste na nossa sociedade preconceito com os negros. A essas pessoas questiono se é comum negros ocupando grandes cargos, se estão em qualquer ranking dos mais ricos do país, se os encontram indo a eventos culturais de alto custo (será que não notaram que nos estádio da copa do mundo não havia afro-brasileiros?), em contrapartida, nos presídios a aparência é outra!

Infelizmente, o racismo é uma realidade no país e são esses fatos que demonstram os efeitos dessa prática cultural. O argumento esposado por essa camada é lamentável e opressor, já que é utilizado para não provisionar políticas públicas de combate ao racismo.

Neste contexto é que começamos a entender a importância da consciência negra. Reconhecendo a realidade posta acima, de que forma podemos reparar tamanha desigualdade? O Estado, através de sua Carta máxima, declarou em seu art. 5 que todos são iguais perante a lei. Ainda determinou como objetivo da sociedade, promover o bem de todos independentemente da cor.

 

 

Na prática, apenas após implementar a social democracia, é que se viu a aplicação de políticas para o início da reparação dessa desigualdade. Podemos citar a implementação de cotas para faculdades públicas, a criminalização do racismo e, a mais importante delas, a obrigatoriedade no currículo escolar da disciplina “História da África e da Cultura Afro-brasileira” como medidas de estímulo à luta contra o racismo.

Afinal, pouco adianta políticas de Estado ou de governo que visam à minimização das diferenças entre cor, se os brasileiros (de todas as cores) não conseguem entender a razão de tanta luta. A verdade é que pouco se fala acerca das consequências da escravidão. Nas escolas ainda não se ensina que mesmo atualmente o povo negro segue marginalizado em face da péssima condução de todos os pilares da sociedade em relação ao fim da escravatura. Apesar de nítido, não se admite que o poder ainda tenha cor. Mesmo com todos os indicativos, não se explora que a discriminação possui ranço em praticamente todas as esferas do cotidiano, seja com ditados raciais (quem nunca ouviu que “amanhã é dia de branco”?) ou com notório padrão de beleza europeu.

À luz do raciocínio exposto, consciência negra consiste no estudo da História desse povo, História com letra maiúscula, a ciência, na valorização da beleza de sua cultura e se necessário for, ficar com braço esticado e mão cerrada, para gritar pela minimização dessa desigualdade histórica. Por fim, trago como reflexão o ensinamento do líder negro Malcolm X: “As únicas pessoas que realmente mudaram a História foram os que mudaram o pensamento dos homens a respeito de si mesmos”.

 

 

Texto de Gill Sampaio Ominirò com aporte das fontes abaixo:

 

http://www.planalto.gov.br/seppir/20_novembro/apres.htm

http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2012/11/dia-nacional-de-zumbi-e-da-consciencia-negra-e-comemorado-em-20-de-novembro

 

 

Categoria: Antropologia, História, Transmissão de Conhecimento

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