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CD Ṣiré Nàgó-Ketu – Parte I

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 24/10/2016 às 01h53

Por Gill Sampaio Ominirò

 

A Ìwé Ìmọ̀ fará uma série de matérias sobre o mais novo produto musical afro-brasileiro lançado no Brasil. Trata-se do disco Ṣiré Nàgó-Ketu, produzido pelo Ilé Ibúalámọn e lançado em 1º de outubro de 2016, em São Paulo, exclusivamente em formato CD.

Falaremos sobre a questão estética, sobre o conceito e sobre a música, parte por parte e, no final, sortearemos na nossa fanpage, três exemplares do Cd, os quais serão enviados via Correios para os ganhadores. Portanto, fiquem ligados e marquem na página a opção para receber todas as notificações.

Começaremos, então, esta série de matérias pelo olhar mais fácil, pela estética do disco, suas imagens e pelo uso do texto.

Pois bem, em principio é importante destacar que o trabalho é um tributo ao sacerdote do Ilé Ibúalámọn, Pai José Carlos, morto em 2012. Diante disso, imagens do bàbá perfazem o conjunto fotográfico do disco, não construindo um compêndio saudosista, pelo contrário, é a celebração da vida e da sua presença que ficam claras nas imagens espalhadas pelo luxuoso digipack que serve de berço ao compact disc, o qual também foi cuidadosamente trabalhado em sua apresentação com imagem gravada.

Trata-se de um digipack de duas abas com berço central para a acomodação do Cd físico. Este tipo de formato é o mesmo usado por astros da música brasileira, mas sendo que este formato utilizado é bem mais sofisticado que os lançamentos em geral. Há ainda um encarte acoplado, com três lâminas que se tornam seis páginas, tudo ricamente ilustrado com imagens coloridas e impresso em papel couché, o que dá um acabamento visual às imagens muito melhorado.

Seguimos ainda nas imagens para dizer que o disco nos proporciona, ainda que sucintamente, uma viagem pela história do candomblé baiano na sua vertente do Àṣẹ Ilha Amarela, fundado pelo Bàbá Otavio de Ilha Amarela, o qual foi iniciado por Tia Massi da Casa Branca do Engenho Velho, nas primeiras décadas do século XX. Imagens de Pai Otavio, Pai Camilo e Mãe Célia, cada um em sua época, baluartes do antigo candomblé baiano, registra claramente a preocupação dos organizadores do disco em preservar a família.

Chama-nos muito a atenção uma imagem na qual Opotun Vinícius abraça a Ìyálòrìṣà Gabriela, sua irmã. Nenhuma imagem no disco, por incrível que pareça, representa melhor o intuito deste projeto. Do ponto de vista imagético, em ambos os sentidos que esta expressão possui, esta imagem representa, contundentemente, todo o cerne imaginário da obra, qual seja, o amor. 

 

 

Vinicius e Gabriela são filhos biológicos do homenageado e ambos são os responsáveis pela construção do disco, sendo que coube a Vinícius os arranjos e a direção artística dele.

 

O trabalho gráfico do disco é, portanto, primoroso, sofisticado e ao mesmo tempo, simples. Possivelmente é justamente esta simplicidade que o torna tão sofisticado. Num mundo de virtualidades e futilidades descartáveis no qual vivemos, o conjunto de imagens e trabalho gráfico do disco é um alívio para nossos olhos cansados de observar a desumanização das relações humanas, por mais paradoxal que isso pareça. Para ver mais imagens, clique no link a seguir e confira em nosso site.

 

O texto

 

O texto ou os textos do disco são um caso à parte e merecem destaque. No caso dos textos-depoimentos como os de Mãe Luizinha de Nàná do Àṣẹ Batistini ou do Ọ̀gá Wilson de Ọ̀ṣun, melhor amigo de pai José Carlos, temos a certeza de que há amor impresso em cada palavra, não só por admiração deles para com o falecido sacerdote, mas por companheirismo mesmo. Os textos escritos por estes dois nos levam carinhosamente a darmos um afago em pai José Carlos com nossas próprias mãos.

Não podemos deixar de mencionar que há duas pequenas falhas no conjunto dos textos. Uma é de não haver um texto específico que conte a história de Pai José Carlos para aqueles que não o conhecem Brasil a fora. A outra é a não disponibilização das traduções dos cânticos do yorubá para o português. Em tempos atuais de sede de informações, é imprescindível sabermos o que estamos ouvindo e cantando para que saibamos das mensagens sempre tão belas e importantes que os cânticos yorubá nos trazem. Fica a produção do disco devendo estes detalhes para a próxima edição do CD. No entanto, estas ausências não diminuem em nenhum momento a beleza gráfica, estética ou textual do disco.

 

 

Por falar em texto, a língua portuguesa foi bem empregada, com alguns pequenos desvios que também podem ser corrigidos numa próxima edição. Igualmente assim foi o uso da língua yorubá. Os seguidores da Ìwé Ìmọ̀ sabem o quanto o yorubá é difícil de lidar. Possui uma gramática tonal com muitas acentuações e sinais gráficos, os quais são indispensáveis para uma leitura correta e respectiva tradução, mas sabemos também que no universo afro-brasileiro, um dialeto do yorubá foi criado e é este que, em geral, é empregado. Todo caso, não se pode deixar de perceber o esforço dos produtores para que tudo fosse escrito num yorubá o mais próximo do correto possível, é admirável, raro até. Não há desleixo, talvez apenas não houve revisões adequadas. Para ser sincero, desconheço um disco com cânticos de candomblé que possua um yorubá tão bem grafado como este, e, ainda assim, não estando perfeito, podemos ter uma ideia do grau de dificuldade que é exigido para se lidar com esse belo e complexo idioma africano.

Enfim, no que diz respeito à estética, aos textos e à parte gráfica do CD Ṣiré Nàgó-Kétu, o que temos a dizer é que o produto final é extraordinário. A página recomenda aos nossos seguidores a compra do disco que é muito mais do que um produto mercantil afro-brasileiro, é uma linda declaração de amor para um pai que soube deixar um legado antes de partir para o Ọ̀rún.

 

Gill Sampaio Ominirò

Gill Sampaio, no lançamento do Cd, já admirado com a qualidade gráfica do disco.

 

E, no próximo texto, falaremos exatamente sobre isso, sobre o cerne deste disco, a homenagem e o homenageado. Quem é esse sacerdote que deixou tal legado e que espalhou amor por onde passou?

 

Aos nossos seguidores, segue o link direto para a aquisição do disco. Comprem à vontade e sem medo, deem de presente aos amigos e irmãos sem a menor sombra de dúvida de que vão gostar>> Compre aqui

Categoria: CD, Cultura, Família de Àṣẹ, História, Música, Recomendamos, Tradição Escrita, Transmissão de Conhecimento
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Curta "Intolerâncias da Fé"

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 09/07/2016 às 20h30

Intolerâncias da Fé - um filme necessário!

 
Sinopse: A partir do depoimento de pesquisadores, lideranças religiosas e praticantes de religiões afro brasileiras, Intolerâncias da Fé pretende retratar os conflitos religiosos ocorridos no espaço público e problematizar o tratamento conferido a estes conflitos pela sociedade e por instituições como a escola e a polícia. Os episódios de intolerância religiosa e a exposição de aspectos da luta histórica dos adeptos das religiões de matriz africana e brasileira por legitimação e reconhecimento mostram que “ninguém quer ser tolerado”, e sim respeitado.
 
Direção: Alexandre B. Borges, Fernando de Sousa e Taís Capelini
 
 
O curta é muito bom, o projeto parte de fatos de intolerância religiosa ocorridos e com grande repercussão para expor análises de comportamentos e explanações históricas.
 
É muito importante que não só assistamos como, compartilhemos com nossos "amigos" das redes sociais, principalmente para que aqueles que não são adeptos de religiões afro-brasileiras possam ter uma pequena noção do quão grande é a perseguição contra nós.
 
A Ìwé Ìmọ̀ - Candomblé sem Segredos apenas não corrobora a ideia de que tolerar seja suportar ou carregar um fardo como diz o historiador no curta. A palavra "tolerância" vem do latim - tolerare - que significa "acolher alguém", "ser suporte", "ser indulgente para com os outros". Seu sentido ao londo da história foi se modificando e sendo deturpado à semântica de "suportar". Fora isso, o curta é excelente e merece todo nosso apoio, nossa tolerância.
 
O curta foi selecionado para integrar a Mostra de Vídeos e Ensaios Fotográficos do 40º Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS). O evento acontecerá entre os dias 24 e 28 de outubro, em Caxambu - MG.
 
Assistam>> 
 
 
Categoria: Cinema e arte, Cultura, História, Recomendamos, Transmissão de Conhecimento
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Equede - a Mãe de todos

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 04/05/2016 às 18h35

Na semana do dia das mães, livro sobre as Mães-Equedes do Candomblé é lançado em São Paulo.

 

 


Na próxima sexta-feira, 06 de maio, a tradicional Biblioteca Mário de Andrade recebe o Lançamento do livro "Equede - a Mãe de todos".


Publicado pela Editora Barabô, o livro é um testemunho de Gersonice Azevedo Brandão, nacionalmente conhecida como Equede Sinha, uma das principais sacerdotisas do Ilé Àṣẹ Ìyá Nasò Oká, a venerável Casa Branca do Engenho Velho, Salvador - BA, fundada em 1830, sendo a primeira casa de Candomblé oficial no Brasil.

 

 

Eu sou uma equede. E uma equede é uma mãe. Então, não me vejo em outra função dentro do axé. Porque eu sou mãe. E não sei mais separar a mãe genética da mãe religiosa

 

Diz Equede Sinha, no livro organizado por Alexandre Lyrio e Dadá Jaques, que traz histórias inéditas em 172 páginas, além de mais de 200 fotos, tanto do acervo pessoal da autora e da Casa Branca, quanto dos fotógrafos Dadá Jaques, Flávio Damm e da Fundação Pierre Verger.


"Equede" é um cargo, uma função na hierarquia do candomblé, o qual concentra os poderes maternais do acolhimento, do zelo e da educação. Do yorubá “èkejì”, equede é o braço direito da Ìyálòrìṣà e zela tanto pelos òrìà quanto pelos filhos de òrìṣà de uma casa, um templo, perfazendo, assim, seu perfil inequívoco de Mãe. A partir do relato de Equede Sinha é possível mergulhar no universo de um dos mais famosos terreiros de candomblé nagô no país, na trajetória de mães e mulheres negras na formação da cultura e identidade afro-brasileiras, assim como a sua própria resistência.

 

 

O lançamento de "Equede - a Mãe de Todos" contará com a presença da escritora, apresentação cultural do Afoxé Ilú Egbá e é organizado pelo Grupo Ìkórítá, formado por professores, jornalistas, comunicadores, artistas plásticos, dentre outros; todos adeptos do Candomblé que se unem para o enfrentamento e combate à intolerância religiosa contra as religiões afro-brasileiras e de matriz africana e é o mobilizador da Marcha do Dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa

 

Serviço:

Biblioteca Mário de Andrade

Endereço: Rua da Consolação, 94, Centro, São Paulo - SP

Data: 6 de maio, sexta-feira

Horário: 19:30h

Valor do livro: R$ 150,00 

Realização: Grupo Ìkórítá

Apoios: Prefeitura Municipal de São Paulo, Deputada Leci Brandão, Biblioteca Mário de Andrade, B.L Produções e Ìwé Ìmọ̀ - Candomblé sem Segredos.

 

 

Categoria: Antropologia, Àṣẹ, Candomblés Antigos, Cultura, Família de Àṣẹ, História, Livros, Recomendamos, Tradição Escrita, Tradução, Transmissão de Conhecimento
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Ìwé Ìmọ̀ Recomenda: Mother of George

Publicado por Gill Sampaio Ominirrò em 27/09/2015 às 20h48

Mother of George (2013)

por Thiago Campelo

 

 

Dividir e classificar o cinema, assim como em qualquer outra área, é de certa maneira, natural. Entretanto, nessa tentativa de linearização da história cinematográfica, existem ramificações que impossibilitam essa disposição metódica. Dentre os mais variados pontos que permitem esses ramos crescerem, como diferenças estéticas, temática, ideológicas, etc., os processos de produção podem assumir papel de destaque.

É certo que, tratando-se de cinema norte-americano, a questão dos meios de produção se torna um dos temas mais importantes e, em certa medida, é o principal impulsionador de mudanças estéticas. Tratando-se dos indie movies, há quem os veja como um advento da cinematografia dos 80 e 90, uma resposta ao blockbuster, com algumas reaparições em títulos que surgiram nas décadas subsequentes.

Todavia, desde a grande depressão e o advento do som no cinema, surgiram filmes que, em certa medida, fugiam às regras do cinema standard, por mais que, em sua maioria, fossem produzidos pelos grandes estúdios.

 

 

O desgaste da fórmula, 40 anos após o advento do filme B, nos leva ao período da Nova Hollywood. John Cassavetes, que fez parte desse período já produzia desde o final dos anos 50, livre dos estúdios, filmes completamente independentes, assim como Andy Warhol e Robert Altman.

Sendo assim, esse cinema estadunidense de destaque, em grande parte, pode ser tomado como extensão do filme B dos anos 30, reflexo do movimento de contracultura do final dos anos 50 e como desdobramento da Nova Hollywood do final dos anos 60, etc. Ou seja, toda uma tradição de ruptura com paradigmas ideológicos e estruturais disseminados pelos grandes estúdios.

No entanto, por mais que seja tentador reduzir e classificar o filme independente só pela sua liberação da lógica de grande mercado há de se pensar que é também a possibilidade de liberação estética e política para seus realizadores. Geralmente, os indie movies são bem destoantes das grandes produções de estúdio tanto nas temáticas quanto na forma como são abordadas.

 

 

 

 

Dentro dessa perspectiva, tentando não encaixotar o cinema independente estadunidense é que se assiste hoje, Mother of George (2013), de Andrew Dosunmu, diretor, fotógrafo e produtor nigeriano, também diretor de Restless City (2011), erradicado em Nova York.

 

 

 

 

Nos créditos iniciais, não aparecem leões, montanhas ou globos. Mother of George, produzido pela Parts &Labor e Loveless é um drama familiar. Após o casamento de Ayodele (Isaach De Bankolé) e Adenike (Danai Gurira), a recém-constituída família nigeriana em Nova York, não consegue dar a luz a uma criança, um filho que terá que se chamar George, extremamente esperada pela matriarca da família, a mãe de Ayodele, Ma Ayo Balogum (Bukky Ajayi). Assim, o filme é construído através da pressão exercida pela tradição sobre uma família inserida em um contexto cultural distinto.

Contrariando o que se pode esperar, na maioria das vezes, de um roteiro regido por essa premissa, o filme não assume um discurso maniqueísta onde o ocidente, resumido à cidade de Nova York, é o inquestionável progresso e a cultura nigeriana, transfigurada na família Balogum, tivesse que se sujeitar aos seus meios. Ayo não segue o estereótipo consolidado pelo cinema de negro bestializado, que simplesmente vê em sua esposa um objeto de exploração e prazer. Adenike também não é a negra extremamente sensualizada sujeita aos mandos e desmandos dos homens em geral. Ambos se amam e sofrem por não serem capazes de gerar um filho.

 

 

 

 

Mother of George não se dá, enquanto filme, como mero concessor de espaço para abordar questões de grupos minoritários. Ele ressignifica a construção desse espaço como área de empoderamento de um grupo. Não é questão de sensibilizar-se com um drama cinematográfico adaptável ao universo escolhido, mas fazer ver e ouvir uma pluralidade identitária.

O filme começa com a cena do casamento de Ayo e Nike. É impossível dizer, que se está nos EUA até que Sade Bakare (Yaya DaCosta), amiga de Adenike e dama de seu casamento, nos alerta que ela não é mais de Lagos, e que agora vive no Brooklyn. Sade representa, ao longo da trama, o oposto de Ma Ayo Balogum. Pode ser encarada como a figura de maior integração na lógica da cidade. Desapegada, em certa medida, das tradições de seu país, é unicamente através dela que se vê o cosmopolitismo da cidade. Sade aconselha Adenike a procurar um médico, ou em pensar em adotar uma criança, desvencilhando-se dos laços de sangue tão caros à tradição familiar. Ela também se relaciona amorosamente com Biyi (Anthony Okungbowa), irmão de Ayodele, de maneira casual, por mais que ao longo do filme se construa um drama menor, paralelo ao central, da vergonha de Biyi em assumir o relacionamento.

 

 

 

 

Por sua vez, Ma Ayo Balogum, matriarca da família, mulher já idosa, é a guardiã das tradições. É ela que exerce pressão sobre Adenike para que lhe dê um filho homem que, ao seu modo de ver, representará a sua continuidade. Por mais que a representação desse recorte seja feita através de uma mulher, o seu processo de identificação é com o universo masculino.

Tanto Adenike quanto Ayodele e Biyi vivem o conflito entre a tradição que se apresenta na figura da mãe/sogra e o cosmopolitismo da amiga/amante. É um atrito trabalhado em bom tom, sem dualizar completamente as partes. Por mais que se perceba melhor a ambiguidade nesses três personagens, tanto Sade quanto Ma também são personagens maleáveis. Sade é exposta ao desprezo da tradição familiar através de Biyi e Ma luta contra a desestruturação da família

 

 

 

Ao longo do filme são raros planos abertos com considerável profundidade de campo. Não se vê a cidade de forma alguma e sempre temos Ayo ou Nike, sob um foco oscilante, tomando ao menos metade do quadro. É dessa maneira que Dosunmu constrói primorosamente o que há de mais importante em sua narrativa. As emoções e sentimentos de suas personagens oscilam enquanto caminham ou em tempos mortos. Por mais que a película tenha uma organização aparentemente linear, a densidade do filme se dá enquanto balada, crescendo verticalmente na profundidade de seus personagens diante do drama que lhes perturba.

Por muitas vezes Adenike observa a rua. O quadro mostra somente seus olhos e uma mancha cinza azulada a sua frente. Em contraste, a cor de suas roupas, o concreto e o metal das ruas. A fotografia é primorosa e explora certa sensualidade que não é reflexo da história ou dos corpos dos atores, mas que contrasta as cores fortes e quentes das roupas e dos ambientes internos com uma luz extremamente fria – a exceção da cena inicial, a do casamento – que remete à situação de desespero das personagens.

 

 

 

 

É também interessante, como são constituídas a paleta de cores em clara referência à cultura Yoruba. Em algumas cenas muito características, as cores não estão lá por pura adequação visual. Talvez por fazer parte da tradição ou por escolha de uma representação de determinados Orixás para cada momento. As cores do casamento, por exemplo, permanecem, em grande parte sobre tons de amarelo e laranja, cores que remetem à figura de Oxum, a jovem mãe, associada à fertilidade.

Enquanto filme independente, por condições mercadológicas ou autorais, a película põe à prova uma série de perfis e representações estereotipadas que tiveram seu auge ainda nos primórdios do cinema e que perduram, às vezes mais diluídas, até hoje. Pr’além de relativizar esse espaço de construção discursiva, o trabalho de Dosunmu é de um apuramento estético e desdobramento referencial considerável. Nas várias camadas em que se pode analisar a obra, não há nada que permaneça solto, sem significar dentro do filme.

 

 

 

 

Dessa forma, Mother of George se insere como um dos principais filmes independentes do ano de 2013, recebendo a premiação de melhor fotografia (Bradford Young) e sendo indicado ao prêmio do grande júri do característico festival de Sundance.

 

 

 

 

Fonte>>

http://naosaoasimagens.com/2014/11/02/mother-of-george-2013/

Categoria: Antropologia, Cinema e arte, Cultura, Mitologia, Recomendamos, Tradição Escrita, Tradução
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Lançamento do livro Terreiros Egúngún

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 25/07/2015 às 08h43

 

 

Ìwé Ìmọ̀ recomenda

 

UFBA convida para o lançamento do livro Terreiros Egúngún

 

O Reitor da Universidade Federal da Bahia, João Carlos Salles Pires da Silva convida para o lançamento do livro Terreiros Egúngún: um culto ancestral afro-brasileiro, de José Sant’Anna Sobrinho. O evento acontece no dia 05 de agosto, às 18h30, na Câmara Municipal de Salvador. Na ocasião, haverá exposição do livro, venda e sessão de autógrafos.

 

Apresentando ampla pesquisa etnográfica, o título traz uma investigação da expansão das comunidades terreiros na atualidade, em especial dos Terreiros Egúngún, localizados na Ilha de Itaparica. O livro conta com testemunhos e opiniões de líderes religiosos sobre o fluxo e a expansão das tradições em meio às mudanças que ocorrem na geografia urbana da região, que abriga os primeiros terreiros de culto aos ancestrais desde o século XIX.

 

 

Informações adicionais sobre o livro

ISBN: 978-85-232-1267-4
Área: Religião
Ano: 2015
Formato: 17 x 23 cm
Número de páginas: 286
Preço especial de lançamento: R$ 25

Serviço:

Lançamento do livro: Terreiros Egúngún: um culto ancestral afro-brasileiro
Quando: 05 de agosto
Horário: 18h30
Onde: Câmara Municipal de Salvador – Ladeira da Praça. s/n, Centro – Salvador

 

 

 

Categoria: Antropologia, História, Livros, Mitologia, Recomendamos, Tradição Escrita, Transmissão de Conhecimento
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Exposição "O Catador da Floresta de Signos"

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 10/05/2015 às 00h59

 

 

Mostra ressalta a importância das folhas no universo dos Orixás e da cultura afro-brasileira

Sem folha não tem Orixá!

Esse dito yorubá que sintetiza um dos princípios do candomblé serve de base para a exposição inédita que o fotógrafo e artista plástico fluminense Alexandre Mury apresenta em Salvador a partir do dia 7 de maio. A mostra, intitulada “O Catador na Floresta de Signos”, é resultado de uma incursão artística e filosófica sobre o universo afro brasileiro a partir de uma pesquisa empreendida por Mury, durante do meses, na capital baiana.

 

 

O trabalho de Mury resultou na composição de 12 orixás, numa leitura livre baseada na simbologia das folhas associada à figura humana. Em sua pesquisa em território baiano, o fotógrafo investigou o tema religioso a partir do contato próximo com as pessoas que vivem o candomblé no seu cotidiano, levando para sua vida essa influência. “Eu tinha uma ideia na cabeça, mas quando cheguei a Salvador tudo mudou. Mudou na construção e no próprio sentido da obra que eu imaginava fazer”, atesta ele, ressaltando a importância da vivência em terras baianas para o resultado final da mostra.

 

 

E este resultado, segundo ele, decorre de sua atenta observação sobre a apropriação dos signos e significados do candomblé pelos baianos. “Aqui, mesmo quem não é do candomblé acaba incorporando alguma coa do candomblé no seu dia a dia”, observa o artista, que diz ter procurado em seu trabalho a busca da ancestralidade no que ela tem de ma essencial. Nesse ponto, entra como fio condutor da mostra o elemento natureza, particularmente, as folhas.

 

 

Serviço:

Mostra: O Catador na Floresta de Signos/ Alexandre Mury
Abertura: 07/05/2015, às 20 horas
Visitação: 08/05 a 06/06 de 2015 (segunda a sexta, 10h às 19h; sábado, 10h às 13h)
Local: Roberto Alban Galeria
Endereço: Rua Senta Pua, 53 Ondina Tel. 3243-3982/ 3326-5633

http://www.aratuonline.com.br/…/mostra-ressalta-a-importan…/

 

 

 

 

 

 

Categoria: Cultura, Mitologia, Recomendamos
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Exposição apresenta o múltiplo Brasil de Carybé

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 08/04/2015 às 17h27

 

Quando leu Jubiabá (1935), Carybé decidiu incluir a Bahia no roteiro da sua primeira viagem ao Brasil em 1938. "Ele queria saber se o que Jorge Amado escreveu era verdade", conta Solange Bernabó, filha do pintor argentino.
Segundo ela, a descrição que o autor baiano fez sobre sua terra causou tal impacto no artista que ele teve certeza de que precisava conferir esses encantos.

"Ele viu a Bahia numa clara tarde de agosto. Ao chegar aqui, viajou de caminhão, se aventurou em navios, morou com índios e cruzou o país do Oiapoque ao Chuí", afirma.

A exposição Aquarelas de Carybé entra em cartaz nesta terça-feira, 7, às 19 horas, na Caixa Cultural e materializa em duas mostras - Aquarelas do Descobrimento e As Cores do Sagrado - a singularidade com que o estrangeiro conseguiu se apropriar de relevantes aspectos da cultura brasileira e baiana.

São cem obras reunidas: 50 delas abordam a história do descobrimento do Brasil e as outras tematizam as tradições do culto aos deuses africanos no candomblé.
Solange é a responsável pela curadoria da exposição e afirma que o desejo do seu pai era retratar o cotidiano do povo das Américas.

"Por ter vindo de fora, meu pai conseguiu dar vida a manifestações pouco retratadas. É comum quem vive no lugar não atentar para aspectos que estão muito próximos. As histórias dos povos negro e indígena, por exemplo, tiveram espaço de relevância na sua obra".

Em 1967, a editora Sabiá lançava o livro Carta a El Rey Dom Manuel, adaptação da carta de Pero Vaz de Caminha para o rei de Portugal feita por Rubem Braga.
De acordo com Solange Bernabó, a intenção da obra era marcar a comemoração dos 500 anos de Pedro Álvares Cabral.

"Todas as ilustrações dessa publicação foram feitas por Carybé a nanquim e reconstituem momentos importantes da expedição que chegou ao nosso país como o primeiro contato entre portugueses e índios e a primeira missa".

Ela diz que anos depois, o argentino resolveu aquarelar essa série de desenhos e hoje eles chegam inéditos à exposição no formato 42 x 30 cm emoldurados em vidro e passe-partout.

As Cores do Sagrado

Solange destaca o trabalho de registro executado por Carybé entre os anos de 1950 e 1980 em casas de candomblé de Salvador.

"Esse é um parêntese na obra de meu pai porque é documental. As cerimônias não podiam ser fotografadas, então ele contou apenas com sua memória visual".
Solange explica que Carybé era obá de xangô do Ilê Axé Opô Afonjá, então comandado por Mãe Senhora, e aos poucos passou a ter mais conhecimento sobre os rituais.

"Dessa forma, ele pôde retratar com mais exatidão as festas, os eventos de iniciação e até incorporação dos orixás".

Carybé também visitava periodicamente outras casas, como o Gantois, Bate Folha e Casa Branca.

"Tivemos um trabalho difícil de selecionar as 50 imagens que seriam expostas em um universo de 128 aquarelas".

Todas estão reunidas no livro Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, publicado pelo governo da Estado em 1981 e hoje esgotado nas livrarias.
Depois de Salvador, a exposição ainda vai passar por Recife e Rio de Janeiro.

Obra perpetuada

O próximo passo para a manutenção do legado deixado por Carybé à cultura brasileira é a implantação do Espaço Cultural Carybé.

Solange diz que o projeto está em vias de finalizar o processo de licitação e confirma que ele será instalado no Forte de São Pedro, localizado no Campo Grande.

"Será um espaço virtual e sem obras físicas, por conta da proximidade com o mar. O projeto não está totalmente formado, mas tudo que venha contribuir para divulgação do trabalho dele nos interessa".

 

 

Programe-se

O quê: Exposição "Aquarelas de Carybé"
Quando: De terça a domingo, das 9h às 18h, até 17 de maio (abertura nesta terça-feira, 7, às 19h)
Onde: Caixa Cultural Salvador (Rua Carlos Gomes, 57, Centro)
Quanto: Gratuito
Informações: (71) 3421-4200

http://atarde.uol.com.br/cultura/exposicao/noticias/1672069-exposicao-apresenta-o-multiplo-brasil-de-carybe

Categoria: Cultura, Recomendamos
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Linguagens Pretas!

Publicado por Gill Sampaio Ominirô em 09/09/2014 às 11h40

Fotografia, Teatro e Ancestralidade no Museu Afro-Brasileiro!

 

“Linguagens Pretas: Encontros pela Ancestralidade”
une arte e conscientização no combate ao preconceito.

 

O Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia (Mafro/UFBA) realiza no próximo dia 10/09 (amanhã), a partir das 16:30h, a segunda edição do Linguagens Pretas: Encontros pela Ancestralidade, série de atividades que visam conscientizar para a importância da ancestralidade e combater o preconceito em relação à cosmologia dos afrodescendentes.


 

O teatro e a fotografia como meios de valorizar e promover a cultura negra ancestral num bate-papo com a participação da diretora teatral Fernanda Júlia (Grupo NATA – Núcleo Afro-brasileiro de Teatro de Alagoinhas), do ator Marinho Gonçalves e dos fotógrafos Roger Cipó e Andrea Magnoni.  

 

Além de resgatar a importância da ancestralidade e fortalecer a identidade sociocultural, o projeto também busca ampliar as ações afirmativas para a consciência negra e para o empreendedorismo juvenil.


 

O universo multicolorido e expressivo das danças ancestrais dos Orixás é o foco da pesquisa Olhar de um Cipó, do fotógrafo paulista Roger Cipó, que registra a vitalidade e a harmonia nas cerimônias, rituais e no cotidiano religioso das comunidades de terreiro.

 

Segundo o fotógrafo, estar na Bahia é dar continuidade a uma história ancestral e que precisa ser fortalecida em todos os estados do Brasil.


 

“Participar desse encontro é um presente das forças ancestrais que reverenciamos no candomblé. É um passo importante na realização de um sonho não só meu, mas de todos e todas que buscam dialogar sobre as questões sociais das comunidades afrodescendentes e promover a arte”, afirma Cipó.

 

Imagens da pesquisa estão no seguinte link>>

https://www.facebook.com/olhardeumcipo

 

SERVIÇO:

Linguagens Pretas: Encontros pela Ancestralidade

Dia/Hora: 10 de setembro de 2014, às 16:30h

Local: Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia - Sala Carybé

Largo do Terreiro de Jesus s/nº - Prédio da Faculdade de Medicina

Centro Histórico - Salvador - Bahia

Entrada franca.

 

Categoria: Cultura, Recomendamos
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