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Sacrifício de animais

Iniciação religiosa de crianças requer precauções!

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 17/08/2016 às 20h50

 

 
Por: Dr. Hédio Silva
 
A iniciação religiosa de bebês e crianças divide opiniões entre as confissões religiosas, incluindo as cristãs.
 
Igreja Batista, Menonnitas, Amishes e alguns segmentos pentecostais são exemplos de confissões religiosas que não iniciam bebês e crianças.
 
O anabatismo, movimento doutrinário contrário à iniciação/batismo de bebês e crianças (pedobatismo), acredita que o batismo pressupõe consciência da conversão, razão pela qual somente pode ser ministrado em adultos.
 
Entre as Religiões Afro-brasileiras não existe posição única a respeito do assunto, mas é certo que o Candomblé prescreve o ikomojade, cerimônia na qual se dá nome ao recém-nascido e que deve ser realizada a partir do 7º dia do nascimento.
 
O ikomojade é uma cerimônia relativamente simples, não-iniciática, cuja função principal é apresentar o recém-nascido à comunidade, ao passo que a iniciação exige uma sequência de liturgias e por isso requer cuidados.
 
A legislação brasileira, inclusive o Estatuto da Criança e do Adolescente garante aos pais o direito de transmissão familiar da crença, o direito de escolherem livremente a educação religiosa dos filhos.
 
Não obstante, recentemente a Justiça da capital paulista foi acionada porque uma Sacerdotisa iniciou o filho biológico, sendo que o autor da denúncia foi o próprio pai do adolescente.
Para evitar ou minimizar a ocorrência de problemas, sobretudo resultantes da intolerância religiosa, os Sacerdotes/Sacerdotisas devem estar atentos para os aspectos legais que disciplinam a proteção da criança e do adolescente.
 
O primeiro cuidado diz respeito à legalização do templo, bem como a habilitação legal do Sacerdote/Sacerdotisa, o que deve ser feito por meio do estatuto e ata devidamente registrados em cartório.
A criança não deve presenciar liturgias ou rituais que possam causar-lhe impacto ou desconforto emocional, incluindo o abate religioso de animais.
 
Do mesmo modo, impõe-se todo cuidado nos procedimentos de escarificação religiosa (curas/ìlà), mesmo considerando-se que são limitados à pele, têm tamanho ínfimo, são feitos em regiões do corpo protegidas pela roupa e não provocam nenhum dano estético. Ademais, são bem menos invasivos do que o furo na orelha de bebês ou a circuncisão, a título de exemplos.
 
É essencial que o pai e a mãe da criança assinem conjuntamente um termo de declaração (modelo anexo, atualizado), com firma reconhecida de ambos, declaração esta que deve ficar arquivada no Templo por pelo menos cinco anos.
 
É verdade que uma declaração assinada pelos pais pode não ser suficiente para livrar o Sacerdote/Sacerdotisa da intolerância religiosa, mas sem dúvida pode evitar muitos dos problemas, inclusive criminais, como os que acompanhamos ao longo dos anos.
 
Uma simples "folha de papel" poderia ter evitado que Sacerdotes e Sacerdotisas fossem presos e condenados sob acusação de cárcere privado, maus tratos contra crianças, entre outras acusações.
 
Em breve divulgaremos modelo atualizado de recolhimento de adolescentes (12 aos 18 anos) e adultos, lembrando que tais declarações devem ser assinadas toda vez que a pessoa pernoitar pelo menos um dia no templo religioso.
 
 
Marcelo Reis
 
 
No link abaixo você encontra o modelo elaborado pelo Dr. Hédio do Termo de Declaração para iniciação religiosa de crianças>>
 
 
Foto 1: Roger Cipó © - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved
Foto 2: Marcelo Reis © - Bembé do Mercado, Santo Amaro da Purificação - BA - Todos os Direitos Reservados / All Copyrights Reserved
 
 
Categoria: Àṣẹ, Família de Àṣẹ, Questões Jurídicas, Rituais, Sacrifício de animais, Tradição Escrita, Transmissão de Conhecimento
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Curso de Direitos e Deveres dos adeptos do Candomblé

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 16/01/2016 às 22h00

 

Em tempos de intolerância religiosa é preciso encontrar saídas jurídicas para o combate a este mal.

  

Assim, o Instituto Itesa de Tecnologia, Especialização e Aprimoramento, no seu seguimento de Diversidade e Inclusão, promove o curso sobre Direitos e Deveres dos adeptos do Candomblé, da Umbanda e demais religiões afro-brasileiras com o prof. Dr. Hédio Silva Jr. Trata-se do curso Organização de Espaços Religiosos: aspectos jurídicos do sacerdócio.

 

Para quem não o conhece, o Professor Dr. Hédio Silva Jr. é advogado, doutorado pela PUC-SP. Foi Conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo, na qual foi também Presidente das Comissões de Direitos Humanos e Liberdade Religiosa.

 

Não bastasse tudo isso, Dr. Hédio foi o primeiro negro a assumir a Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo, entre 2005 e 2006. Ainda foi indicado pelo Movimento Negro e pela organização “Conectas Direitos Humanos” como um dos advogados destacados para defender, na tribuna do Supremo Tribunal Federal, as ações afirmativas para negros no acesso à educação superior.

 

A Ìwé Ìmọ̀ conversou com o jurista para saber um pouco mais sobre sua vida e sua luta em prol das religiões afro. Vejam>>

 

Dr. Hédio, quais os motivos pelos quais o senhor resolveu defender as religiões afro-brasileiras. Por que resolveu dedicar sua vida em razão de um bem coletivo?

 

Tenho compromisso existencial e político com a luta contra o racismo. A intolerância contra as Religiões Afro-brasileiras é uma das formas mais abjetas de racismo religioso. Sinto-me lisonjeado com a pergunta, mas não diria exatamente que dediquei minha vida à luta coletiva. Fiz e faço muitas outras coisas, família, meu filho Kayodê, livros, advocacia privada, carreira acadêmica, militância na OAB, mas sempre destinei um tempo para a luta contra o racismo e a intolerância religiosa.

 

E como se deu o seu envolvimento com as religiões afro-brasileiras e a continuidade neste culto?

 

A primeira vez que entrei num Terreiro (de Umbanda) foi aos seis anos de idade, levado por minha mãe, D. Teresinha que, como muitos brasileiros, não deixava de ir à missa nem de recorrer à macumba nos momentos de adversidade. Minha infância, especialmente os períodos que passava em Três Corações, Sul de Minas, onde nasci, é repleta de memórias de benzedeiras, benzimentos, “simpatias”, uso fitoterápico de plantas, folia de reis, etc. Não por acaso dedico minha advocacia pro bono para defender judicialmente os direitos e interesses das Religiões Afro-brasileiras.

 

Qual a importância para um sacerdote em fazer o curso Organização de Espaços Religiosos: aspectos jurídicos do sacerdócio?

 

Informação é poder. Esta frase pode parecer clichê, mas no caso das Religiões Afro-brasileiras ela é absolutamente verdadeira: a imensa maioria dos Sacerdotes e Sacerdotisas desconhece quais são seus direitos, deveres, tampouco os direitos da organização religiosa e do templo religioso. O acesso à informação é importante não apenas para o empoderamento das lideranças religiosas como também um valioso instrumento de proteção da Casa e dos seus dirigentes. Ademais, a intolerância religiosa cresce a cada dia e para enfrentá-la não há outro meio senão prepararmos as lideranças para fazerem valer seus direitos.

 

O curso é direcionado apenas para quem tem nível superior e às  lideranças religiosas ou qualquer adepto das religiões afro-brasileiras?

 

O curso destina-se tanto às pessoas com graduação como também àquelas sem formação superior. Lideranças e interessados em geral. A ênfase do curso é nas Religiões Afro-brasileiras, mas qualquer pessoa pode frequentar.

 

 

Conheça o curso:

 

O curso tem início dia 27 de janeiro de 2016, com turmas à tarde e à noite, na sede do Itesa: Via Anchieta, 1422 – Ipiranga (próximo ao Metrô Sacomã).

Tel.: 11 2577 0565.

E-mail: itesa.diversidade.inclusao@gmail.com

Fanpage: www.facebook.com/itesadiversidade

 

O curso tem carga horária de 30 horas e o seu valor original é de R$ 600 à vista. Porém, em convênio com a Ìwé Ìmọ̀ – Candomblé Sem Segredos, quem informar na sua inscrição o código ELS270784 terá um desconto de R$ 150,00, pagando apenas R$ 450,00 à vista.

 

 

O Currículo:

 

 

1. Direitos dos Sacerdotes e Sacerdotisas:

 

1. Inscrição na Previdência Social (para fins de aposentadoria, benefícios, etc.);

2. Celebrar casamento e emitir o certificado para reconhecimento civil;

3. Livre acesso a hospitais, presídios e quaisquer outros locais de internação coletiva, visando dar assistência religiosa;

4. Isenção do serviço militar;

5. Isenção do serviço no Júri;

6. Prisão especial;

7. Sepultamento no próprio Templo, obedecidas as normas legais;

 

2. Organização religiosa:

 

1. Estatuto;

2. Atas;

3. CNPJ;

4. Contabilidade/fisco; certificados de utilidade pública, etc.

 

3. Templo religioso: alvará de funcionamento:

 

1. Isenção de IPTU, taxa de lixo, etc.;

2. Liberdade de culto e dos locais de culto: direitos e deveres;

3. Direito de vizinhança/poluição sonora;

4. Legalidade do abate religioso de animais;

5. Legislação ambiental;

6. Intolerância religiosa e problemas de invasão arbitrária.

 

Clique no link abaixo e faça já sua inscrição. Não perca essa oportunidade rara de saber como se defender da intolerância religiosa.

 

http://itesadiversidadeinclusao.com.br/cursos/curso-com-dr-hedio-silva-jr/

 

 

 

Categoria: Cultura, História, Livros, Sacrifício de animais, Transmissão de Conhecimento
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Por que Ọ̀ṣun não come pomba, só o Àdàbà?

Publicado por Gill Sampaio Ominirô em 11/06/2015 às 14h10

 

Ìtan (mito):

 

Ọ̀ṣun, enquanto esposa de Ṣàngó, sofria com sua indiferença e sua infidelidade. O Ọba sempre a deixava sozinha, o que provocava na esposa ódio e tristeza.

 

Após uma grande briga entre os dois, Ṣàngó prendeu Ọ̀ṣun num quarto do palácio real cuja janela tinha barras de ferro e, como sempre, foi às festas que lhe aprazia.

 

Neste dia, Èṣù que é grande aliado Ọ̀ṣun, viu-a aos gritos de socorro pela janela do quarto e lhe perguntou o que acontecera.

 

Ela lhe contou a história e Èṣù, na sua habilidade não só de criar problemas, mas também de resolvê-los, recorreu a Ọ̀rúnmìlà, pedindo-lhe que ajudasse a ìyálòóde.

 

Este, por sua vez, preparou uma mistura de folhas e sementes dando origem a um pó, um àṣẹ, e deu a Èṣù dizendo que ele deveria soprá-lo em.

 

Quando voltou ao palácio do rei Èṣù soprou o pó Ọ̀ṣun e ela se transformou numa linda pomba, podendo assim fugir do cárcere imposto pelo Aláàfin.

 

Deste ocorrido em diante, em respeito à pomba, Ọ̀ṣun recusa que ela lhe seja sacrificada, sendo este animal substituído pelo Àdàbà (streptopelia semitorquata, na foto acima), em terras africanas.

 

No Brasil, como este pássaro não existe, ele é substituído pela juriti (leptotila verreauxi, na foto abaixo), a qual é bastante semelhante ao Àdàbà.

 

A Juriti

 

Observem o cântico que deixa claro que não se deve sacrificar pomba a Ọ̀ṣun:

 

Yorubá:

 

Àdàbà orò ma fẹ.

Ò fẹ́ lẹ (ẹiyẹlé) ó

               

Pronúncia:

 

Adabá ôrô mã fé

Ọ̀ fé lé (éiélé) ô

 

Tradução:

 

É Àdàbà que ela quer para o sacrifício

Ela não quer pomba

 

Àṣẹ!

Categoria: Antropologia, Àṣẹ, Cultura, Música, Mitologia, Rituais, Sacrifício de animais, Tradição Escrita, Tradução, Transmissão de Conhecimento
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