#ws #ws

Dicas de Yorubá

Dicas de Yorubá VII

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 19/01/2017 às 20h54

 

 

Usos da expressão ẹ̀gbọ́n (irmão mais velho)

 

 

Ẹ̀gbọ́n mi – meu irmão ou irmã mais velho(a)

 

Ẹ̀gbọ́n wa – nosso(a) irmão ou irmã mais velho(a)

 

Ẹ̀gbọ́n rẹ – seu (sua) irmão ou irmã mais velho(a)

 

Ẹ̀gbọ́n yín – o(a) irmão ou irmã mais velho(a) de vocês

 

Ẹ̀gbọ́n rẹ – o(a) irmão ou irmã mais velho(a) dele(a)

 

Ẹ̀gbọ́n wọn – o(a) irmão ou irmã mais velho(a) deles(as)

 

 

Importante destacar a pronúncia, pois, apesar da escrita “ẹ̀gbọ́n”, o assento agudo complementado pela ponto abaixo do “o” indicam uma abertura da pronúncia, porém anasalada o que dá a impressão de “on”, porém, a correta é “an”. Assim, a pronuncia correta para “ẹ̀gbọ́n” é /egbam/. No brasil, no entanto, não temos o fonema /gb/, o que dificulta sua execução. O comum é a pronúncia /ebam/. À parte seu uso, é importante que saibamos qual a pronúncia correta mesmo que não usemos.

 

Importante lembrar que o yorubá é uma língua tonal, isso quer dizer que ela se alicerça pelo tom a fim de atribuir sentido às palavras. Assim, todas as letras são pronunciáveis, ou seja, não existem letras “mudas”.

 

Outro dado de imensa importância é o uso da expressão “ẹ̀gbọ́n mi” no candomblé. Apesar de seu significado literal ser “meu irmão ou irmã mais velho(a)”, ao longo da história, esta expressão passou a titular uma espécie de cargo na religião.

 

Funciona, então, da seguinte forma: o ìyawó que passa pelo ritual do ọdún éje (festejos dos sete anos), passa a ser chamado de, indiscriminadamente, ẹ̀gbọ́n mi, independente de sua idade iniciática. Do ponto de vista do idioma, da semântica, é um erro, pois um ìyawó com três anos de iniciação é ẹ̀gbọ́n de outro ìyawó com dois anos. Da mesma forma, um ẹ̀gbọ́n com dez anos de iniciação não poderia chamar o iniciado de sete (mesmo com ọdún éje), de ẹ̀gbọ́n mi, pois seria uma incoerência linguística. No entanto, o uso é que dá significado ao significante e a expressão ẹ̀gbọ́n mi tornou-se um título para que cumpriram o ritual do ọdún éje.

 

Nota-se, principalmente nas redes sociais, que com o passar do tempo e com a aquisição de informações sobre o idioma yorubá, esse desvio de linguagem normativa vem se modificando e o uso correto da expressão ẹ̀gbọ́n tem se intensificado.

 

Categoria: Antropologia, Cultura, Tradição Escrita, Tradução, Transmissão de Conhecimento
Comentários (6) e Compartilhar

Dicas de Yorubá VI

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 09/12/2015 às 21h48

 

Mo júbà (meus respeitos), aos seguidores da Ìwé Ìmọ̀!

 

Vamos às Dicas de Yorubá VI - Expressões e Interjeições:

 

As expressões abaixo são interjeições, não são substantivos nem adjetivos, portanto, “mentira?!”, irọ́ ni?!, não tem o mesmo sentido de “mentira”, como substantivo, a qual seria èké em yorubá.

 

Lembramos que sempre as expressões e interjeições devem vir acompanhadas pelos sinais de exclamação (!) ou interrogação (?), como no português:

 

 

 

Kí ni Orúkọ rẹ̀?                                 Qual é seu nome?

Orúkọ mi ni...                                    Meu nome é...

 

 

Wá ńbí!                                             Venha aqui!

 

 

Ọpẹ́olú!                                             Graças a deus!

 

 

Áà!                                                Ah!

 

 

Àṣẹ!                                               Amém!

 

 

Dájú-dájú!                                         Certamente!

 

 

Dákẹ́!                                             Fique quieto!

 

 

Ẹ dákẹ́!                                              Fique quieto! (quando for aos mais velhos)

 

 

Dùn!                                                  Por favor!

 

 

Jọ̀wọ́!                                                 Por favor!

 

 

Ẹ gbà mi o!                                        Socorro!

 

 

Ẹ jékalo!                                            Vamos!

 

 

Ẹ jọ̀wọ́!                                              Desculpe!

 

 

Ẹ kú!                                              Bom!

 

 

Hà!                                                Medo ou surpresa

Hèé!                                               Medo ou surpresa

Hèpa!                                                 Um grito

 

 

Irọ́ ni?!                                              Mentira?!

 

 

Káì!                                                    Ah! Oh!

 

 

Kí má ba?                                          Por que não?

 

 

Kíyèsí!                                               Atenção!

 

 

Ńgbà!                                                 Tomá-lo!

 

 

Ńgbọ́!                                                Ouça!

 

 

O ma se o!                                         Que pena!

 

 

Òótó ni!                                             Verdade!

 

 

Ẹ kú iṣẹ́                                          Bem feito!

 

 

Categoria: Cultura, Tradição Escrita, Tradução, Transmissão de Conhecimento
Comentários (0) e Compartilhar

Dicas de Yorubá V

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 22/11/2015 às 18h40

  

Àwọn nọ́ńbà: Os Numerais

 

É muito corriqueiro encontrar na internet ou em convites de festas de Candomblé, os números em yorubá transcritos de forma incorreta. Os números da quantidade do ọdún geralmente são grafados erradamente, o que é lastimável, pois é algo que pode não só levar à dúvida, como principalmente depreciar o evento por conta do desvio da linguagem. No entanto, não vamos considerar como erros propositais, pois a falta de conhecimento sobre o idioma yorubá aos integrantes do candomblé é imensa.

 

Por outro lado, essa falta de informação, de cursos, de transmissão de conhecimento não pode ser justificativa para se escrever errado. A informação deve ser adquirida por quem tem interesse em fazer bem, em fazer sempre o melhor e se elevar e elevar o conceito de nossa religião.

 

Os recursos são escassos, reconhece-se. Não há muitos dicionários à disposição e até o recém-lançado “Dicionário Yorubá–Português” de José Beniste, oscila entre estar à venda e estar fora de catálogo. Gramáticas yorubá mais raras ainda.

 

Então vamos aprender, conhecer e divulgar a grafia correta dos numerais em Yorubá para daqui em diante podermos transcrevê-los de maneira acertada.

 

Numerais yorubá podem ser divididos em cardinais e ordinais. Como no português os cardinais são para contagem ou quantitativos. Por outro lado, diferente do português, os ordinais não se flexionam em gênero (masculino e feminino), mas o fazem em grau (singular ou plural), com o auxílio do artigo àwọn.

 

Para relembrar...

 

  • Os números cardinais indicam quantidade ou contagem. Correspondem diretamente aos números naturais.

 

  • Já os números ordinais indicam o número de ordem, posição ou lugar ocupado em uma série.

 

Apesar de os números quantitativos, em grande parte, se utilizarem da inicial M, os numerais ordinais podem ser reduzidos à inicial K, após elisão de uma vogal inicial.

 

Vale ressaltar que tanto a primeira quanto a segunda palavra em yorubá à frente do número tem o mesmo significado, ou seja, para o número 3, tanto faz usar “ẹ́tà” como “mẹ́tà”. Mas há uma diferença no uso destas expressões, pois ení, éjì, ẹ́tà, ẹ́rin, àrun..., são usados para a contagem: 1, 2, 3, 4 e 5. Já ọ̀kan, méjì, mẹ́tà, mẹ́rin e   màrun são usados com o intuito de quantidade.

 

Exemplo:

 

Uma laranja = ọsàn ọ̀kan.

Duas crianças = ọmọ méjì

Dez casas = ilé mẹ́wà

Quatro pessoas – ènìyàn mẹ́rin

Sexta pessoa - ènìyàn ẹkẹfà

 

Caso surjam dúvidas quanto à pronúncia, leia a matéria “Dicas de Yorubá III”, a qual se encontra nesta mesma página.

 

Os números cardinais

 


0        òdo

1        ení – ọ̀kan

2        éjì – méjì

3        ẹ́tà – mẹ́tà

4        ẹ́rin – mẹ́rin

5        àrun – màrun

6        ẹ́fà – mẹ́fà

7        éje – méje

8        ẹ́jọ – mẹ́jọ

9        ẹ́sàn – mẹ́sàn

10       ẹ́wà – mẹ́wà

11       ọ̀kanlá – mọ̀kanlá

12       éjìlá – méjìlá

13       ẹ́tàlà = mẹ́tàlà

14       ẹ́rinlá – mẹ́rinlá

15       ẹ́ẹdógun – mẹ́ẹdógun

16       ẹ́rìndilógún – mẹ́rìndilógún

17       ẹ́tàdílógún – mẹ́tàdílógún

18       éjìdílogún – méjìdílogún

19       ọ̀kàndílogún – mọ̀kàndílogún

20      ogún

21       ọ̀kànlélógún – mọ̀kànlélógún

22       éjìlélógún – méjìlélógún

23       ẹ́tàlélógún – mẹ́tàlélógún

24       ẹ́rìnlélógún – mẹ́rìnlélógún

25       árùndínlọ́gbọ̀n – márùndínlọ́gbọ̀n

26       ẹ́rìndínlọ́gbọ̀n – mẹ́rìndínlọ́gbọ̀n

27       ẹ́tàdìnlọ́gbọ̀n – mẹ́tàdìnlọ́gbọ̀n

28       éjìdínlọ́gbọ̀n – méjìdínlọ́gbọ̀n

29       ọ̀kandínlọ́gbọ̀n – mọ̀kandínlọ́gbọ̀n

30      ọ́gbọ̀n

31       ọ̀kànlélọ́gbọ̀n – mọ̀kànlélọ́gbọ̀n

32       éjìlélọ́gbọ̀n – méjìlélọ́gbọ̀n

33       ẹ́tàlélọ́gbọ̀n – mẹ́tàlélọ́gbọ̀n

34       ẹ́rìnlélọ́gbọ̀n – mẹ́rìnlélọ́gbọ̀n

35       árùndínlógójì – márùndínlógójì

36       ẹ́rìndínlógójì – mẹ́rìndínlógójì

37       ẹ́tàdìnlógójì – mẹ́tàdìnlógójì

38       éjìdínlógójì – méjìdínlógójì

39       ọ̀kandínógójì – mọ̀kandínógójì

40       ogójì

50       aádọ́ta

60       ọgọ́ta

70       àádọ́rin

80       ọgọ́rin

90       àádọ́rùn

100     ọgọ́rin

200     igba

300     ẹgbẹ̀ta

400     irinwó

500     ẹ̀ẹ́dẹ́gbẹ̀ta

600     ẹgbẹ̀ta

700     ẹ̀ẹ́dẹ́gbẹ̀rin

800     ẹ́gbẹ̀rin

900     ẹ̀ẹ́dẹ́gbẹ̀run

1000    ẹgbẹ̀rún

2000    ẹgbẹ̀rún méjì

3000    ẹgbẹ̀rún mẹ́ta

4000    ẹgbẹ̀rún mẹ́rin

5000    ẹgbẹ̀rún màrun

100 mil     àpò ọ̀kẹ́

1 milhão     òdù kan

10 milhões  ìdì òdù

1 bilhões     èèrú kan

1 trilhões    ọ̀kẹ́ – ẹgbẹ̀rún èèrú kan

 

Os números ordinais

 

Primeiro    èkíní – kíní

Segundo    èkejì – kejì

Terceiro    ẹkẹta – kẹta

Quarto      ẹkẹrin – kẹrin

Quinto      èkarùn – karùn

Sexto        ẹkẹfà – kẹfà

Sétimo      èkeje – keje

Oitavo      ẹkẹjọ – kẹjọ

Nono        èkẹsàn – kẹsàn

Décimo     èkẹwàa – kẹwàa

 

Décimo primeiro    èkọkanlá – kọkanlá

Décimo segundo    èkejìlá – kejìlá

Décimo terceiro     èkẹtàlá – kẹtàlá

Décimo quarto      èkẹrinlá – kẹrinlá

 

 

Categoria: Antropologia, Cultura, Tradição Escrita, Tradução, Transmissão de Conhecimento
Comentários (1) e Compartilhar

Dicas de Yorubá IV

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 14/11/2015 às 16h40

 

 

Ìkíni Yorubá (saudações em yorubá)

 

 

 

A dúpẹ́--------------------------------------Nós agradecemos


A dúpẹ́ púpọ̀------------------------------Nós agradecemos muito


Dúpẹ́----------------------------------------Agradecer


Modúpẹ́------------------------------------Eu agradeço


Ẹ kú ìdúró---------------------------------Obrigado por esperar

 

Ẹ kú aájò----------------------------------Obrigado por seu interesse

 

Ẹ kú irọ̀ju----------------------------------Obrigado por sua perseverança

 

Ẹ kú itọ̀ju----------------------------------Obrigado por sua preocupação

 

Ágo------------------------------------------Com licença


Ágo yà---------------------------------------Licença concedida (resposta da frase anterior)


Yàgo------------------------------------------Com licença


Báwo ni ǹkan?-----------------------------Como vão as coisas?


Dáadáa ni-----------------------------------Bem (resposta da frase anterior)


Ẹ jọ̀wọ́----------------------------------------Por favor. Faça o favor


Ẹ káàbọ̀--------------------------------------Seja bem vindo


Ẹ káàárọ-------------------------------------Bom dia


Ẹ káàsàn-------------------------------------Boa tarde (até às 16 horas)


Ẹ kúùrọ̀lẹ́-------------------------------------Boa tarde (das 16 às 19 horas)


Ẹ kàalẹ́!---------------------------------------Boa noite (após as 19 horas)

 

Nlẹ́ o-------------------------------------------Olá

 

Pẹ̀lẹ́--------------------------------------------Olá

Ẹ pẹ̀lẹ́-----------------------------------------Olá (resposta da frase anterior)

 

Bawo ni--------------------------------------Como vai?

Ó dára----------------------------------------Está tudo bem (resposta da frase anterior) ou

Àlàáfíà----------------------------------------Bem

 

Ẹ kú iṣẹ o------------------------------------Bom trabalho

 

Irè ó-------------------------------------------Boa sorte a você

 

Ó dàbọ̀----------------------------------------Adeus

 

Ó dìgbà---------------------------------------Até logo. Adeus

 

Ó dìgbose------------------------------------Adeus

 

Ó dáarò--------------------------------------Até amanhã

 

Ó dòla----------------------------------------Até amanhã

 

Ó di arò--------------------------------------Até amanhã de manhã

 

Ó di ọ̀sán------------------------------------Até à tarde

 

Ó di alé--------------------------------------Até à noite

 

Ọ̀nà rè o!------------------------------------Adeus. Felicidades

 

Ẹ kú ìsimi-----------------------------------Tenha boas férias

 

Ẹ kú ìpalẹ̀mọ́-------------------------------Tenha uma boa viagem

 

Ẹ kú ọdún-----------------------------------Boas Festas

 

Ẹ kú ọdún kérésìmesi--------------------Feliz Natal

 

 

Categoria: Antropologia, Cultura, Tradição Escrita, Tradução, Transmissão de Conhecimento
Comentários (0) e Compartilhar

Dicas de Yorubá III

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 06/11/2015 às 19h07

 

 

Mo kí o (meus cumprimentos!) aos fãs da Ìwé Ìmọ̀!

 

Já falamos um pouco sobre a Origem e História do idioma Yorubá em Dicas de Yorubá I, também já falamos do Alfabeto e da Acentuação neste idioma em Dicas de Yorubá II. Agora chegou o momento de falarmos um pouco dos Sons e da Pronúncia no Yorubá, com dicas importantes nesta etapa que é a mais difícil, pois a pronúncia no Yorubá é complexa por ser demasiada sutil.

 

Um bom exemplo desta sutilidade é o erro que se comete ao na pronúncia do nome da divindade do rio homônimo Ọbà como paroxítona, ou seja, pronunciá-lo como /óba/, dando à primeira sílaba o peso de sílaba tônica. Quem comete este desvio, no entanto, tenta diferenciar, pela sílaba tônica, a pronúncia do nome da divindade Ọbà da pronúncia do título honorífico Ọba (rei). Porém, observem que apesar de serem muito semelhantes, há uma diferença fonética entre estas palavras, pois a segunda sílaba de Ọbà (divindade) possui um acento diferencial grave (`), fato que lhe atribui um tom mais baixo (dó), enquanto que na segunda sílaba de Ọba (rei), não há acentos e o tom, portanto, que se estabelece é o médio (ré). Pode parecer pouco, mas este acento altera a pronúncia e o significado.

Em resumo, ambas as pronúncias são oxítonas.

 

Para não haver dúvidas é importante ressaltar que no Yorubá TODAS as palavras são oxítonas. Ou seja, em todas as palavras a sílaba tônica é sempre a última. Reforçando, no Yorubá não existem paroxítonas, muito menos proparoxítonas.

 

Pronúncia das letras do alfabeto Yorubá:

 

A B D F I L M T e U têm pronúncia semelhante ao do português do Brasil. Por outro lado, as letras abaixo têm sons, às vezes, diferentes: 

 

E – lê-se como em EMA

 

Ẹ – lê-se como em EVA

 

G – lê-se como em GAGO

 

J – lê-se como em DJAVAN

 

K – lê-se como em CAMA

 

N – lê-se como em NOIVA

 

O – lê-se como em OLHO

 

Ọ – lê-se como em OVA

 

P – tem som de KP e pronuncia-se junto

 

R – lê-se como em CAROÇO, jamais como em CARROÇA

 

S – lê-se como em SAIA

 

Ṣ – lê-se como em XÍCARA

 

W – lê-se como em WESLEY, jamais como em WANDO

 

Y – lê-se como em IGREJA com som mais longo

 

Outras dicas importantes sobre sons e pronúncias: 

 

  1. Todas as letras devem ser pronunciadas, não existem letras mudas. Mesmo o “H” é pronunciado e tem som de “RR”. No caso de “GB”, o “G” deve ser pronunciado. Exemplo: Ẹlẹgbara. A pronúncia correta é /éléguibárá/. Mas atenção, o som de “G” é gutural, como em “gato” e NUNCA terá o som de “J”;

 

  1. Todas as palavras terminam com vogais, jamais em consoantes;

 

  1. Todos os verbos começam com uma consoante e não se flexionam nas suas conjugações;

 

  1. As sílabas são entrecortadas por uma leve respiração. Exemplo: tètè (cedo) pronuncia-se = tè-tè;

 

  1. Também não existem ditongos. As sequências de vogais são pronunciadas como sílabas separadas. Exemplo: láìpé = lá-ì-pé (cedo) é considerado trissílabo, e raúráú = ra-ú-rá-ú (completamente) é polissílabo;

 

  1. A letra “N” colocada ao lado de uma consoante, num verbo, forma o gerúndio e tem o som de “UM”. Exemplo: Kú: morrer / Nkú: morrendo;

 

  1. As sílabas NA e MỌ são pronunciadas com som nasal.

 

Como falamos em Dicas de Yorubá II, no Yorubá há três tipos básicos de tom (baixo, médio e alto ), dados por acentos ou pela ausência deles. Assim, o tom Baixo se caracteriza pelo acento grave ( ` ), o Médio pela ausência de acentos e o Alto pelo acento agudo ( ´ ). 

 

O dàbọ! (até logo!)

 

 

Categoria: Antropologia, Cultura, Tradição Escrita, Tradução, Transmissão de Conhecimento
Comentários (0) e Compartilhar

Dicas de Yorubá II

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 29/10/2015 às 21h30

 

 

Mo júbà (meus respeitos) aos amigos e admiradores da Ìwé Ìmọ̀! Dando continuidade, apresentamos Dicas de Yorubá II -  Alfabeto e Acentuação.

 

Como dissemos em Dicas de Yorubá I, este idioma é tonal, isto é, a frequência sonora na pronúncia das vogais serve de parâmetro para diferenciar os fonemas.

 

Pois bem, é o alfabeto diferenciado e seu uso correto, que permitem um bom entendimento desta língua e que permitem também como se expressar através de ela.

 

Alfabeto:

 

O alfabeto yorubá (àwọn ábídí yorubá), compõe-se de 25 letras, sendo 18 consoantes e 7 vogais, a saber:

 

A  B  D  E  Ẹ  F  G  GB  H  I  J  K  L  M  N  O  Ọ  P  R  S  Ṣ  T  U  W  Y

 

As seguintes consoantes não existem no idioma Yorubá:

 

C  Ç  Q  V  X  Z

 

No Yorubá, dentro da característica tonal, cada vogal tem um tom significativo.

Abaixo seguem os três tons definidos:

 

Tom        Palavra          Significado                    Entonação Figurativa

 

Baixo          bì              vomitar                                    

Médio         bi              fazer uma pergunta                     

Alto           bí              para entregar um bebê                 Mi

 

 

Vogais Orais - fáwẹ̀lì àìránmùpè

 

As vogais são sete: A, E, Ẹ, I, O, Ọ, U

 

Vogais Nasais - àwọn fáwẹ̀lì àránmùpè

 

A letra N após as vogais nasais não caracteriza uma sílaba e sim um indicativo que a vogal é nasal.

 

Como o som de AN e ON, são praticamente iguais, convencionou-se o seguinte:

 

ON(ôn) - é usado depois das consoantes: B, F, GB, M, P e W.

AN(ôn) – usado depois da demais consoantes.

 

O Status dessa vogal nasal, [a], é controverso. Embora o som ocorra no discurso, vários autores têm argumentado que ela seja não "fonemicamente contrastiva". Muitas vezes, está em variação livre com [ɔ].

 

Não existe EN ou ON no vocabulário padrão Yorubá. As palavras terminadas em vogal nasal, antecedidas por N ou M, suprime-se o N da vogal nasal e permanece o som nasal.

 

Acentuação:

 

No Yorubá, há os mesmos acentos (àwọ́n àmì ohùn),grave ( ` ) e agudo ( ´ ), da língua portuguesa e, além deles, pontos embaixo da consoante Ṣ e das vogais Ẹ e Ọ diferenciam o som equivalente a estas consoantes no português do Brasil.

 

Atenção! Vogais com (´), acento agudo, não iniciam palavras em Yorubá.

 

No entanto, há ainda outras consoantes no yorubá (GB, H, J e P), que possuem pronúncias diferentes da do português do Brasil e na próxima postagem, Dicas de Yorubá III, falaremos sobre os sons destas letras e suas respectivas pronúncias possíveis, as quais são extremamente importantes para o bom uso do Yorubá.

 

O dàbọ! (até logo!)

 

 

Categoria: Antropologia, Cultura, Tradição Escrita, Tradução, Transmissão de Conhecimento
Comentários (0) e Compartilhar

Dicas de Yorubá I

Publicado por Gill Sampaio Ominirò em 12/09/2015 às 22h00

yorubá 

 Por Gill Sampaio Ominirò

 

Vamos iniciar agora uma série de postagens com dicas sobre o idioma Yorubá. Não se trata de um curso, são apenas dicas de como se usar melhor o idioma utilizado no candomblé em ọfọ̀ (encantamentos), adúrà (rezas), oriki (poemas), orin (cânticos). Também o uso de números e numerais, interjeições, cumprimentos e saudações, além do uso de verbos, substantivos e pronomes.

 

Mas antes da parte prática, um pouco da História deste idioma falado por mais de 100 milhões de pessoas em várias partes do mundo, principalmente na Nigéria.

 

Segundo a tradição oral foi Odùdúwà, filho de Olódùmarè, o  fundador da língua Yorubá.

 

 

 

História

 

O idioma Yorubá (Ède Yorubá), vem evoluindo há mais de quatro mil anos, mas passou a ter uma estrutura específica, diferenciando-se de suas línguas “parentes”, há dois ou três mil anos. Ela pertence à subfamília “Kwa”, da família Níger-Congo e foi absolutamente oral até que Samuel Ajayí Crowter, pastor Anglicano nigeriano, transcreveu-lhe e a publicou em seu dicionário Yorubá-Inglês em 1843. Já a ortografia yorubá surgiu por volta de 1850, embora tenha sofrido inúmeras mudanças desde então.

 

Os fonemas latinos foram utilizados para dar forma escrita aos sons das palavras ouvidas. Trata-se de um idioma subsaariano (parte da África ao sul do Saara), e é a língua nativa do povo homônimo, falado em países como Nigéria, Benin, Togo e Serra Leoa. Por conta da migração e da diáspora yorubá, este idioma também é falar nos EUA, Cuba, Brasil dentre outros países. A área linguística do Yorubá é conhecida com a definição geral de Yorubalândia, e compreende hoje os estados federais Nigerianos de Ọ̀yọ́, Ògún, Ọ̀ṣun, Ondo, Kwara, Lagos e a parte ocidental do estado de Kogi. Pelo ponto de vista geográfico se encontra no planalto, delimitado a norte e a leste do rio Níger.

 

 

 

O continuo dialetal Yorubá consiste de mais de quinze variedades, que possam ser reagrupadas em três idiomas principais: Yorubá norte ocidental, central e sul oriental. Obviamente não é possível traçar alguma linha de divisa definida, e cedo os territórios de divisa de isoglossa dialetal possam apresentar semelhanças com os dialetos confinantes.

 

  • Yorubá norte-ocidental (NWY)
    • Estados Federais de  Ogun, Ọ̀yọ, Ọ̀ṣun e Lagos
  • Yorubá central (ZY)
    • Estados Federais de Igbomina, Ifẹ, Ekiti, Akurẹ, Ẹfọn e Ìjẹ̀sà
  • Yorubá sul-oriental (SOY)
    • Estados Federais de Okitipupa, Ondo, Ọwọ, Ṣagamu e parti di Ìjẹ̀bu.

 

Na variante norte-ocidental os fonemas proto-yorubá  /gh/  a fricativa velar ɣ e /gw/ se alteraram em /w/. As vocais /i/ e //  subiram uma crase e se simplificaram em /i/ e u, como também as suas contrapartes, nasais, que a tornou em um sistema vocal de setes notas e três vocais nasais e orais. No dialeto sul-oriental o contraste originário entre /gh/ e /gw/ ficou inalterado. As vocais nasais /in/e /un/ foram anteriormente fundidas em /ẹn/ e /ọn/. As formas da segunda e terceira pessoa do plural, não se conseguem distingui-las, tanto é que àn án wá pode significar “vocês chegaram” ou “que eles chegassem”, entretanto, no dialeto norte-ocidental, as formas ẹ wá (vocês chegaram), e wọ́n wá (eles chegassem), são homofônicas. A formação de uma forma de gentileza ao plural pode ter impedido a fusão de ambas as formas nos dialetos norte-ocidentais. O Yorubá central constitui, portanto, um anel de conjunção enquanto o léxico se semelha ao dialeto norte-ocidental, porém o território apresenta muitos traços étnicos comuns com aqueles sul-orientais. O sistema vocálico é o mais conservador dos três grupos dialéticos. Apresentam novas vocais nasais e seis ou sete vocais nasais e também um sistema compreensivo de harmonia vocálica.

 

Yorubá standard

 

O Yorubá standard é uma variedade autônoma do grupo dialectal: é a forma escrita da língua apreendida como variante standard, utilizada também na mídia. O Yorubá standard tem as suas origens em cerca de 1850, quando Samuel Ajayí Crowter, primeiro bispo africano de etnia Yorubá, publicou uma gramática do idioma e iniciou uma tradução da bíblia. Mesmo que o Yorubá standard se baseie em boa parte nos dialetos Ọ̀yọ e Ibadan, este apresenta também muitas características típicas de outros dialetos.

 

Além disso, há algumas peculiaridades não comuns em algum dialeto como, por exemplo, o sistema simplificado da harmonia vocálica, também estruturas que recalcam aquelas de línguas estrangeiras, como os “calços” do inglês, devido principalmente às primeiras traduções de óperas religiosas. O uso do Yorubá standard não é o resultado de uma política linguística consciente, e por causa disso tem algumas controvérsias que fazem tornar esta língua autêntica.

 

A opinião de vários autores é  de que o dialeto Ọ̀yọ representa a forma pura da língua. O Yorubá standard ensinado na escola e utilizado pela mídia tornou-se um fator estabilizante e eficaz na construção de uma identidade comum dos Yorubá.

 

 

Sistema de escritura

 

O sistema de escritura Yorubá é devido ao trabalho dos missionários da Church Missionary Society (CMS), ativos nos Aku de Freetown (Serra Leoa), entre outros, se distinguindo Kilham e Raban. Estes escreveram glossários e publicaram curtas anotações linguísticas sobre a gramática Yorubá. Uma das suas fontes na Serra Leoa foi Crowter, que em seguida propõem se estudar cientificamente a própria língua mãe Yorubá.

 

Nas suas primeiras publicações de gramática e traduções de partes da bíblia de língua inglês, Crowter utilizou o alfabeto latim sem “diacríticos sinais de tom”. O único sinal diacrítico utilizado era o ponto em algumas vocais para sinalizar a pronúncia particularmente aberta, por exemplo: <ẹ> e <ọ> para [ɛ] e [ɔ].

 

No curso do tempo, a ortografia foi submetida à revisões para permitir, entre outros motivos, a possibilidade de transcrever os tons. Em 1875 a CMS organizou uma conferência sobre a ortografia Yorubá. O standard estabelecido constitui a base da ortografia da corrente religiosa da literatura dos seguintes anos.

 

A atual ortografia Yorubá deriva de um comunicado do Yorubá Orthografy Comitee, de 1966, escrito por Ayọ Bangboṣe: “Yorubá Orthography” de 1965, um primeiro estudo de ortografia e uma tentativa de uniformizar a língua falada à ortografia. A nova ortografia sempre mais parecida àquela antiga utiliza o alfabeto latim, modificado com a utilização de um diagrama e de alguns diacríticos, em particular, a tradicional linha vertical entre as consonantes: Ẹ/ẹ,  Ọ/ọ,  Ṣ/ṣ

 

Estrutura linguística

 

A ordem básica dos constituintes é Sujeito-Verbo-Objeto (SVO), estrutura oracional na qual o sujeito surge primeiro, seguido do verbo e por último o objeto. As línguas podem ser classificadas de acordo com a sequência destes elementos dominantes.

 

Exemplos de línguas com ordem SVO são o inglês, finlandês, chinês, malaio, quiché, guarani, entre muitas outras. As línguas românicas também seguem a ordem SVO, exceto em construções nas quais um pronome funciona como o objeto.

 

O Yorubá é um idioma tonal, isto é, a frequência sonora na pronúncia das vogais serve de parâmetro para diferenciar dois fonemas. O sistema tonal se caracteriza pela utilização de acentos acima e abaixo das vogais com a função de diferenciar o significado das palavras pelo tom. Nesta perspectiva, significado e significante ficam absolutamente subordinados à forma da pronúncia.

 

As palavras em Yorubá têm vários tipos de acentuação e cada uma delas define a pronúncia correta, e faz grande diferença quando uma palavra não é acentuada, pois isto modifica o seu sentido.

 

Assim, é preciso muito cuidado ao ler o Yorubá, pronunciá-lo, pois dependendo da acentuação (da qual falaremos em Dicas de Yorubá II) e da tonalidade fonética e lexical (das quais falaremos em Dicas de Yorubá III), o sentido da palavra se altera completamente, vejam:

 

  • Ọkò /óko/ = carro, espada
  • Ọko /óko/ = pênis
  • Okó /ôkô/= fazenda

 

Outro exemplo:

 

  • Ògún: Divindade do ferro e da guerra, um Òrìṣà
  • Ogún = herança ou doação
  • Ogún = vinte (numeral)
  • Oògùn = remédio, medicamento, magia (neste caso, a pronúncia é /ôôgúm/)
  • Ogùn = suor

 

Dicionários

 

Poucos são os dicionários Yorubá à disposição. O mais conhecido e utilizado internacionalmente é o “Dictionary of Modern Yorubá” de Roy Clive Abraham, editado em 1958. No Brasil, os dois melhores dicionários são “Dicionário Yorubá (nagô)/Português” de Eduardo Fonseca Junior, cuja primeira edição é de 1988 e encontra-se fora de catálogo e o recém-lançado “Dicionário Yorubá Português” de José Beniste, este último com mais de 800 páginas e muito completo.

 

 Dicionário Yoruba

 

 

 

Webgrafia:

http://www.nibaim.org/linguaecultura/cursolinguayoruba.html

 

 

Categoria: Antropologia, Cultura, Tradição Escrita, Tradução, Transmissão de Conhecimento
Comentários (6) e Compartilhar

left show tsN fwR|left tsN fwR uppercase fsN|left show normalcase fsN fwB|bnull||image-wrap|news normalcase c10|fsN fwR c10 normalcase|b01 c05 bsd|login news fwR c10 normalcase|tsN fwR c10 normalcase|signup|content-inner||