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Dicas de Yorubá I

Publicado por em 12/09/2015 às 22h00

yorubá 

 Por Gill Sampaio Ominirò

 

Vamos iniciar agora uma série de postagens com dicas sobre o idioma Yorubá. Não se trata de um curso, são apenas dicas de como se usar melhor o idioma utilizado no candomblé em ọfọ̀ (encantamentos), adúrà (rezas), oriki (poemas), orin (cânticos). Também o uso de números e numerais, interjeições, cumprimentos e saudações, além do uso de verbos, substantivos e pronomes.

 

Mas antes da parte prática, um pouco da História deste idioma falado por mais de 100 milhões de pessoas em várias partes do mundo, principalmente na Nigéria.

 

Segundo a tradição oral foi Odùdúwà, filho de Olódùmarè, o  fundador da língua Yorubá.

 

 

 

História

 

O idioma Yorubá (Ède Yorubá), vem evoluindo há mais de quatro mil anos, mas passou a ter uma estrutura específica, diferenciando-se de suas línguas “parentes”, há dois ou três mil anos. Ela pertence à subfamília “Kwa”, da família Níger-Congo e foi absolutamente oral até que Samuel Ajayí Crowter, pastor Anglicano nigeriano, transcreveu-lhe e a publicou em seu dicionário Yorubá-Inglês em 1843. Já a ortografia yorubá surgiu por volta de 1850, embora tenha sofrido inúmeras mudanças desde então.

 

Os fonemas latinos foram utilizados para dar forma escrita aos sons das palavras ouvidas. Trata-se de um idioma subsaariano (parte da África ao sul do Saara), e é a língua nativa do povo homônimo, falado em países como Nigéria, Benin, Togo e Serra Leoa. Por conta da migração e da diáspora yorubá, este idioma também é falar nos EUA, Cuba, Brasil dentre outros países. A área linguística do Yorubá é conhecida com a definição geral de Yorubalândia, e compreende hoje os estados federais Nigerianos de Ọ̀yọ́, Ògún, Ọ̀ṣun, Ondo, Kwara, Lagos e a parte ocidental do estado de Kogi. Pelo ponto de vista geográfico se encontra no planalto, delimitado a norte e a leste do rio Níger.

 

 

 

O continuo dialetal Yorubá consiste de mais de quinze variedades, que possam ser reagrupadas em três idiomas principais: Yorubá norte ocidental, central e sul oriental. Obviamente não é possível traçar alguma linha de divisa definida, e cedo os territórios de divisa de isoglossa dialetal possam apresentar semelhanças com os dialetos confinantes.

 

  • Yorubá norte-ocidental (NWY)
    • Estados Federais de  Ogun, Ọ̀yọ, Ọ̀ṣun e Lagos
  • Yorubá central (ZY)
    • Estados Federais de Igbomina, Ifẹ, Ekiti, Akurẹ, Ẹfọn e Ìjẹ̀sà
  • Yorubá sul-oriental (SOY)
    • Estados Federais de Okitipupa, Ondo, Ọwọ, Ṣagamu e parti di Ìjẹ̀bu.

 

Na variante norte-ocidental os fonemas proto-yorubá  /gh/  a fricativa velar ɣ e /gw/ se alteraram em /w/. As vocais /i/ e //  subiram uma crase e se simplificaram em /i/ e u, como também as suas contrapartes, nasais, que a tornou em um sistema vocal de setes notas e três vocais nasais e orais. No dialeto sul-oriental o contraste originário entre /gh/ e /gw/ ficou inalterado. As vocais nasais /in/e /un/ foram anteriormente fundidas em /ẹn/ e /ọn/. As formas da segunda e terceira pessoa do plural, não se conseguem distingui-las, tanto é que àn án wá pode significar “vocês chegaram” ou “que eles chegassem”, entretanto, no dialeto norte-ocidental, as formas ẹ wá (vocês chegaram), e wọ́n wá (eles chegassem), são homofônicas. A formação de uma forma de gentileza ao plural pode ter impedido a fusão de ambas as formas nos dialetos norte-ocidentais. O Yorubá central constitui, portanto, um anel de conjunção enquanto o léxico se semelha ao dialeto norte-ocidental, porém o território apresenta muitos traços étnicos comuns com aqueles sul-orientais. O sistema vocálico é o mais conservador dos três grupos dialéticos. Apresentam novas vocais nasais e seis ou sete vocais nasais e também um sistema compreensivo de harmonia vocálica.

 

Yorubá standard

 

O Yorubá standard é uma variedade autônoma do grupo dialectal: é a forma escrita da língua apreendida como variante standard, utilizada também na mídia. O Yorubá standard tem as suas origens em cerca de 1850, quando Samuel Ajayí Crowter, primeiro bispo africano de etnia Yorubá, publicou uma gramática do idioma e iniciou uma tradução da bíblia. Mesmo que o Yorubá standard se baseie em boa parte nos dialetos Ọ̀yọ e Ibadan, este apresenta também muitas características típicas de outros dialetos.

 

Além disso, há algumas peculiaridades não comuns em algum dialeto como, por exemplo, o sistema simplificado da harmonia vocálica, também estruturas que recalcam aquelas de línguas estrangeiras, como os “calços” do inglês, devido principalmente às primeiras traduções de óperas religiosas. O uso do Yorubá standard não é o resultado de uma política linguística consciente, e por causa disso tem algumas controvérsias que fazem tornar esta língua autêntica.

 

A opinião de vários autores é  de que o dialeto Ọ̀yọ representa a forma pura da língua. O Yorubá standard ensinado na escola e utilizado pela mídia tornou-se um fator estabilizante e eficaz na construção de uma identidade comum dos Yorubá.

 

 

Sistema de escritura

 

O sistema de escritura Yorubá é devido ao trabalho dos missionários da Church Missionary Society (CMS), ativos nos Aku de Freetown (Serra Leoa), entre outros, se distinguindo Kilham e Raban. Estes escreveram glossários e publicaram curtas anotações linguísticas sobre a gramática Yorubá. Uma das suas fontes na Serra Leoa foi Crowter, que em seguida propõem se estudar cientificamente a própria língua mãe Yorubá.

 

Nas suas primeiras publicações de gramática e traduções de partes da bíblia de língua inglês, Crowter utilizou o alfabeto latim sem “diacríticos sinais de tom”. O único sinal diacrítico utilizado era o ponto em algumas vocais para sinalizar a pronúncia particularmente aberta, por exemplo: <ẹ> e <ọ> para [ɛ] e [ɔ].

 

No curso do tempo, a ortografia foi submetida à revisões para permitir, entre outros motivos, a possibilidade de transcrever os tons. Em 1875 a CMS organizou uma conferência sobre a ortografia Yorubá. O standard estabelecido constitui a base da ortografia da corrente religiosa da literatura dos seguintes anos.

 

A atual ortografia Yorubá deriva de um comunicado do Yorubá Orthografy Comitee, de 1966, escrito por Ayọ Bangboṣe: “Yorubá Orthography” de 1965, um primeiro estudo de ortografia e uma tentativa de uniformizar a língua falada à ortografia. A nova ortografia sempre mais parecida àquela antiga utiliza o alfabeto latim, modificado com a utilização de um diagrama e de alguns diacríticos, em particular, a tradicional linha vertical entre as consonantes: Ẹ/ẹ,  Ọ/ọ,  Ṣ/ṣ

 

Estrutura linguística

 

A ordem básica dos constituintes é Sujeito-Verbo-Objeto (SVO), estrutura oracional na qual o sujeito surge primeiro, seguido do verbo e por último o objeto. As línguas podem ser classificadas de acordo com a sequência destes elementos dominantes.

 

Exemplos de línguas com ordem SVO são o inglês, finlandês, chinês, malaio, quiché, guarani, entre muitas outras. As línguas românicas também seguem a ordem SVO, exceto em construções nas quais um pronome funciona como o objeto.

 

O Yorubá é um idioma tonal, isto é, a frequência sonora na pronúncia das vogais serve de parâmetro para diferenciar dois fonemas. O sistema tonal se caracteriza pela utilização de acentos acima e abaixo das vogais com a função de diferenciar o significado das palavras pelo tom. Nesta perspectiva, significado e significante ficam absolutamente subordinados à forma da pronúncia.

 

As palavras em Yorubá têm vários tipos de acentuação e cada uma delas define a pronúncia correta, e faz grande diferença quando uma palavra não é acentuada, pois isto modifica o seu sentido.

 

Assim, é preciso muito cuidado ao ler o Yorubá, pronunciá-lo, pois dependendo da acentuação (da qual falaremos em Dicas de Yorubá II) e da tonalidade fonética e lexical (das quais falaremos em Dicas de Yorubá III), o sentido da palavra se altera completamente, vejam:

 

  • Ọkò /óko/ = carro, espada
  • Ọko /óko/ = pênis
  • Okó /ôkô/= fazenda

 

Outro exemplo:

 

  • Ògún: Divindade do ferro e da guerra, um Òrìṣà
  • Ogún = herança ou doação
  • Ogún = vinte (numeral)
  • Oògùn = remédio, medicamento, magia (neste caso, a pronúncia é /ôôgúm/)
  • Ogùn = suor

 

Dicionários

 

Poucos são os dicionários Yorubá à disposição. O mais conhecido e utilizado internacionalmente é o “Dictionary of Modern Yorubá” de Roy Clive Abraham, editado em 1958. No Brasil, os dois melhores dicionários são “Dicionário Yorubá (nagô)/Português” de Eduardo Fonseca Junior, cuja primeira edição é de 1988 e encontra-se fora de catálogo e o recém-lançado “Dicionário Yorubá Português” de José Beniste, este último com mais de 800 páginas e muito completo.

 

 Dicionário Yoruba

 

 

 

Webgrafia:

http://www.nibaim.org/linguaecultura/cursolinguayoruba.html

 

 

Categoria: Antropologia, Cultura, Tradição Escrita, Tradução, Transmissão de Conhecimento
Tags: yorubá

Comentários

Antonio Carlos Napoleão em 08/02/2017 02:04:23
Bom dia para mim que sou dá religião sempre é bom aprender poi a nossa religião é sempre um aterro aprendizado.
Kolofé
Napoleão Francisco em 13/08/2016 19:48:11
Parabéns pela iniciativa.

gabriel de xango em 09/06/2015 00:50:33
quisiera tener 1 ejemplar de este libro sagrado
Ìwé Ìmọ̀ - Candomblé sem Segredos em 14/12/2014 14:27:15
Prezado Luiz Antonio, você pode encontrar a pronúncia das palavras no link Dicas de Yorubá III, em músicas ou fazendo um curso de yorubá. Obrigado pelo contato
Luiz Antonio em 11/12/2014 14:02:03
Olá Amigo, Parabéns pelo seu Trabalho, gostaria de saber onde posso encontrar estas palavras faladas para que eu possa aprender a pronunciar. Aguardo seu retorno.
Luiz Antonio
Ronaldo Dias em 08/07/2014 10:44:25
Olá, gostei muito, seu site é muito importante para a nossa religião.

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