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Os Yorubá

 

Muitas são as teorias sobre a origem dos yorubá. No entanto, a de Hugh Clapperton e Dixon Denham é a que nos mune com informações para uma possível definição sobre tal origem. Segundo suas pesquisas em terras africanas, Odùdúwà, fundador do Império Yorubano, é Nimrod, personagem bíblico descrito como o primeiro poderoso na Terra (Gênesis 10:8; Crônicas 1:10). Nimrod seria Filho de Cusi e neto de Noé.

 

 Arte Yorubá

 

 

Nesta perspectiva, Clapperton e Denham no livro “Narrative of Travels and Discoveries in Northern and Central Africa, in the Years 1822, 1823, and 1824”, informam que os habitantes da província de Yarba são supostamente descendentes dos filhos de Canaã que pertenciam à tribo de Nimrod. Avançaram desta origem até o centro da África, até Yarba onde se fixaram. Temos aqui, então, a origem do termo yorubá que se originou da cidade chamada Yarba. Bom exemplo disto é o termo “Yarriba”, o qual é utilizado pelos Haúsá para identificar o povo yorubá.

 

Outro dado importante é de cunho arqueológico. Trata-se do Ọ̀pá Ọ̀ranmiyàn, um monólito localizado em Ilé-Ifẹ̀ tido como o túmulo deste herói. Nele, encontram-se palavras inscritas pertencentes à Kaballah Hebraica. Estas palavras ou signos são YOD, RESH, VÔ, BETH e ALEPH, que por sua vez representam a definição em hebraico da palavra “yorubá”, cuja tradução é:

 

YOD         – a divindade por ordem da...

RESH        – unidade psíquica do ser...

VÔ           – deu origem...

BETH        – ao movimento de luz, objeto central...

ALEPH      – da estabilidade coletiva do homem.

 

Ọ̀pá Ọ̀ranmiyàn

 Ọ̀pá Ọ̀ranmiyàn,  Ilé-Ifẹ̀, Estado de Ọ̀ṣun, Nigéria.

 

 

Fica muito claro que os símbolos Yod e Resh compõem as letras Y, O e R. Já o símbolo dá origem à letra U, o símbolo Beth à letra B e, por fim, o símbolo Aleph, à letra A. Temos então a formação e origem semântica do vocábulo “yorubá”:

 

YOD      – YO

RESH     – R

VÔ        – U

BETH     – B

ALEPH   – A

 

Mas então, o que significaria esta elocução: “A divindade, por ordem da unidade psíquica do ser, deu origem ao movimento de luz, objeto central da estabilidade coletiva do homem”?

 

Analisando os componentes da mensagem, pode-se aferir que a “divindade” em questão é o próprio Odùdúwà, a “unidade psíquica do ser”, seria Olódùmarè; o “movimento de luz” seria a migração do povo por motivos religiosos e, por fim, o “objeto central da estabilidade coletiva do homem”, seria a finalidade da fundação da cidade de Ilé-Ifẹ̀, considerada pelos yorubá como o berço da humanidade.

 

Arte Yorubá

 

 

Relato semelhante é o do nigeriano Samuel Johnson, o qual também disserta que o herói fenício Nimrod comandou os yorubá em guerras até a Península Arábica. Mas, ao contrário da teoria de Clapperton/Denham, Odùdúwà seria filho de Lamurudu, um dos reis de Meca, cidade sagrada da Arábia Saudita.

 

É fato que Odùdúwà não é o fundador da etnia yorubá. No entanto, é certo que ele é o estruturador político deles e responsável pela importância da cidade de Ilé-Ifẹ̀ à época.

 

Há, por sinal, um mito que diz que Odùdúwà é sobrevivente de uma inundação global e quando ele e seus seguidores encontraram terra seca, estavam próximos de Ilé-Ifẹ̀ e lá se fixaram.

 

Após se fixar e legitimar a relevância de Ilé-Ifẹ̀, Odùdúwà se casa com Olókun (Senhora dos Oceanos) e com ela gera três filhos, a saber: Okanbi, Ògún e Iṣedale.

 

 

Arte Yorubá 

 

Okanbi dá continuidade à verve política e guerreira de Odùdúwà, é pai de Ọ̀ranmiyàn, o qual funda da cidade de Ọ́yọ́ que torna a capital política do reino yorubá e a mais disputada localidade da região. Após a morte de Ọ̀ranmiyàn, Ọ́yọ́ foi comandada por Àjàká e Ṣàngó, seus filhos, na seguinte sequência de governos:

 

Okanbi              – 1º Aláàfin, entre 1700 e 1600 a.C. (título póstumo ao primeiro guerreiro)

Ọ̀ranmiyàn         – 2º Aláàfin, entre 1600 e 1500 a.C. (filho de Okanbi)

Àjàká               – 3º Aláàfin, entre 1500 e 1450 a.C. (filho de Ọ̀ranmiyàn)

Ṣàngó               – 4º Aláàfin, entre 1450 e 1403 a.C. (filho de Ọ̀ranmiyàn)

Àjàká                – 5º Aláàfin, entre 1403 e 1370 a.C.

 

 

 

 

Ọ́yọ́ foi o mais poderoso reino yorubá e sua autoridade se estendia às cidades de Ẹgbá, Benin, Popo, Ṣàbẹ́, Kétou, Abẹ́òkúta, Òndó, Ilorin, Tógò e Nupe. O tráfico de escravos era a grande fonte de renda e, para tal, eram forjadas as guerras regionais, intertribais, para a consecução de escravos, como espólio, para posterior venda destes aos traficantes que os levariam para as Américas.

 

Yorubá e árabe

 

Vale ressaltar que muitas são as semelhanças entre a cultura yorubá e a árabe. Por exemplo, o termo “àláfíà”, o qual é de origem árabe e quer dizer “prosperidade”. O mesmo termo faz parte do vocabulário yorubá e quer dizer “paz” ou equivale a expressões positivas como “tudo foi aceito”.

 

Dilúvio?

 

Outro dado relevante é o fato de que em vários mitos yorubá sobre a criação da Terra, esta era, antes da chegada dos homens, coberta por água, fato que coincide com o descrito no mito mencionado mais acima, o qual diz que Odùdúwà foi sobrevivente de uma enchente de proporções mundiais. Vale lembrar que esta catástrofe pode talvez se relacionar com o dilúvio relatado no Velho Testamento da Bíblia hebraica.

 

Texto de Gill Sampaio Ominirò com base na bibliografia abaixo:

 

ADÉKÒYÀ, Olúmúyiwá Anthony. Yorubá: Tradição Oral e História, São Paulo, Terceira Margem. 1999

DENHAM, Dixon; CLAPPERTON, Hugh. Narrative of travels and discoveries in Northern and Central Africa in the years 1822, 1823, and 1824. 2ª. Edição, Londres,  Cambridge-USA, 1826/2011.

JOHNSON, Samuel. The Histtory of the Yorubá. Lagos, CSS, 1921

   

  

 

 

Comentários

Marcia cristina em 15/12/2015 18:12:44
Gostaria de saber mais, pois foi muito esclarecedora a pesquisa.
Muitos zeladores não passam esse entendimento para os filhos. Estudo é sempre bom.
rREGINALDO FAUSTINO NASCIMENTO em 25/08/2015 12:14:15
para quem tem que estudar ai esta um dos melhores saits valeu gostei muito
Fernando em 24/08/2015 20:27:29
Prezado Gill,

gostaria da sua permissão para publicar seu texto no meu blog: https://ocandomble.wordpress.com.

Adupé,

Oxalá wá gbé o.

Fernando D'Osogiyan
Josiane Galvão em 23/07/2015 11:41:22
Eu estou adorando as explicações muito esclarecedoras quero aprender mais a cada dia.
janice baeza em 09/09/2014 11:02:49

Adorei a pesquisa. Esclarecedora, cuidadosa com a lisura, respeitosa com os adeptos, como eu, do Culto à Orixá.
Parabens, lindo trabalho
miriam matos falcão em 31/07/2014 15:57:59
Adorei a pesquisa. Esclarecedora, cuidadosa com a lisura, respeitosa com os adeptos, como eu, do Culto à Orixá.
Parabens pelo lindo e inteligente trabalho e obrigada!

Sabrina em 30/07/2014 01:06:42
Eu conhecia a teoria do Samuel Johnson, mas essa perspectiva do escocês é nova para mim. A possibilidade de ligação de Nimrod aos descendentes de Noé é fantástica.
Lucas Almeida em 29/07/2014 23:20:45
Excelente ! Na minha opinião,todos os praticantes das religiões afro brasileiras deveriam estudar um pouco sobre a raiz,ou no mínimo,sobre o idioma.

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