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Ìgbẹ́yàwó

  

O Casamento no Candomblé

 

Descendência é talvez o primeiro mandamento da vida yorubá.

Homens e mulheres desejam que seus parentes mortos voltem a viver em sua companhia, e as mulheres jovens estão sempre prontas a darem filhos a seus maridos. 

A noiva é escolhida pela família, e esta escolha é referendada pelo oráculo Ifá, pelos ancestrais, pelos mais velhos. 

A vontade dos noivos também se faz ouvir. 

O casamento se inicia com um cortejo alegre de mulheres, familiares e amigas da noiva, precedidas por tocadores de atabaque, que acompanham a noiva através das ruas e do mercado, carregando cestas na cabeça, onde recebem presentes para o futuro casal. Chegando ao templo ou à casa do noivo, já as famílias estarão esperando por elas.

 

 

 

 

Uma mulher bem casada lava pés e mãos da noiva na entrada, e a toalha é dada de presente à sogra, para que a noiva seja obediente e submissa, caso vá morar com ela. 

Os noivos se prostram ao chão em posição de respeito perante os mais velhos, e as famílias trocam presentes. 

Elogios serão feitos para os noivos, definindo suas qualidades e o que trazem de bom para o casamento. 

O pai do noivo entrega ao pai da noiva o "preço da noiva", dinheiro ou joias simbólicos, em maior quantidade se a noiva já for mãe ou estiver grávida, porque então já provou sua fertilidade (Diz-se: "Ìyá ni wúrà, Bàbá ni digi": Mãe é ouro, Pai é vidro).

O noivo reverencia a noiva por ser mulher, estar sujeita à menstruação, poder engravidar e dar a sua família a descendência necessária para que a força vital familiar se perpetue. 

E caberá à noiva zelar por "Ìgbá Egungun", cabaça esculpida, recheada de elementos mágicos que simbolizam a família do noivo, entregue a ela por seu futuro sogro. 

Não se usa aliança, mas sim uma corrente de metal trabalhado no tornozelo direito da mulher, simbolizando sua entrada da família do marido. 

E caberá às mulheres mais velhas da família, por muitos meses, instruí-la sobre as lendas, cantigas e histórias familiares, para que possa então ensinar seus filhos.




 

Tem efeito legal?

"Estando os terreiros regularizados, com os estatutos discriminando quem são os celebrantes, os presidentes das solenidades, a Justiça aceita isso como representação no terreiro para que seja feito o casamento religioso com efeito civil", explica  Alberto dos Santos, juiz.

 

A Carta Magna em seu artigo 5º prevê direitos e garantias fundamentais acerca da proteção à liberdade religiosa, atrelando-os diretamente ao princípio da dignidade da pessoa humana:

"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade...”.

 

A lei brasileira exige que alguns detalhes devam ser observados para que a cerimônia seja reconhecida:

  • É válido o andamento da documentação antes ou depois da cerimônia. Quando posterior, o prazo é de 90 dias. Os documentos devem ser entregues no cartório que irá constituir a equiparação do casamento civil

 

  • No lugar de um juiz de paz, a união é realizada por um sacerdote da religião. O templo deve estar regularizado, e o sacerdote constituído de poderes para exercer sua função.

 

  • O terreiro deve ter o seu estatuto e atas, onde uma diretoria constituída reconhece o sacerdote como representante. A partir disso, nem o presidente da República pode dizer que não há a devida validade. O Estado não exige formação para o sacerdote religioso, mas tem que haver uma organização que o reconheça como autoridade.

 

  • No terreiro também deve existir um livro de registros para a expedição de uma certidão, que posteriormente é levada pelos noivos ao cartório. Outro item é a presença de testemunhas na cerimônia

 

  • A forma do ritual não é relevante na questão jurídica. O casamento tem as mesmas características que nas demais religiões e segue as mesmas questões de validade, ou seja, entre pessoas de sexos distintos e as que ainda não foram casadas.

 

A união matrimonial celebrada no candomblé aumenta a autoestima da população de terreiro e faz com que cada vez mais as pessoas busquem e reivindiquem seus direitos civis.

 

Lembrando que, apesar de os Yorubá não permitirem em sua nação  o casamento entre pessoas do mesmo sexo, no Brasil o casamento homoafetivo é permitido e legal e, portanto, o candomblé não só pode como deve realizá-lo para ser a vanguarda contra a discriminação por orientação sexual.

 

Portanto, casem-se no candomblé, valorize sua religião.

 

 

Comentários

Shelsea em 21/07/2016 22:28:07
Casamento
Ìwé Ìmọ̀ - Candomblé sem Segredos em 26/08/2014 21:34:35
Irmãos, no texto acima há referências ao casamento homoafetivo que é entre pessoas do mesmo sexo. Deem uma olhada novamente. Obrigado pelo contato.
Mah em 20/08/2014 04:50:22
Gostei muito do texto e gostaria de saber o mesmo que a Rebeka.
SILVIA em 09/08/2014 22:49:23
Gostaria de saber sobre casamento entre pessoas do msm sexo,no candomble?
rebeka em 08/08/2014 18:53:56
Adorei...
Mais vai uma pergunta: Como hoje já é permitido pela lei brasileira casamento entre pessoas do mesmo sexos, como funciona a cerimônia no candomble?

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